Analfabetismo funcional: a estagnação alarmante

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Por Telma Elorza

Esta semana, foram divulgados dados alarmantes divulgados pela Pesquisa Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional) que chamaram atenção para um problema persistente e crescente no Brasil: o analfabetismo funcional. Coordenada pela Ação Educativa e pela consultoria Conhecimento Social, em parceria com instituições como Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco, Unesco e Unicef, a pesquisa revelou que, contra todas as expectativas de melhoria, a taxa de analfabetismo funcional no país não apenas estagnou, mas começou a mostrar sinais preocupantes de retrocesso.

O termo “analfabetismo funcional” refere-se à habilidade limitada de compreender e utilizar informações escritas no cotidiano, afetando não apenas a capacidade de leitura, mas também a interpretação e aplicação de conhecimentos básicos em diversas situações práticas. Esse fenômeno, apesar dos esforços históricos de diversas entidades educacionais e sociais, parece estar se agravando, contrariando expectativas otimistas. Isso é perceptível, mesmo para quem não tem formação especializada, nas redes sociais, onde boa parte do público lê mensagens, mas não compreende o contexto e vira tudo uma grande confusão.

EJA no combate ao analfabetismo funcional

Segundo os dados mais recentes da pesquisa, a queda gradual que vinha sendo observada nas últimas décadas parece ter estagnado, com indicativos de um possível retrocesso em algumas regiões e faixas etárias. Esse cenário levanta questionamentos profundos sobre as políticas públicas educacionais adotadas, bem como sobre a falta de incentivos dos programas de alfabetização e educação de jovens e adultos (EJA).

O Censo Escolar 2024, divulgado em abril deste ano, mostrou que as matrículas na educação de jovens e adultos (EJA) seguem em queda desde 2018.

Pesquisa mostrou que o analfabetismo funcional estagnou - em vez de diminuir - no Brasil. E isso é preocupante, porque o EJA está perdendo espaço também.
Fotos: Freepik

No contexto específico do Paraná, os números são também preocupantes. Em 2023, houve uma perda significativa de matrículas no EJA, somando cerca de 94 mil alunos a menos e o fechamento de aproximadamente 50 escolas dedicadas a essa modalidade de ensino. Esses dados, alarmantes por si só, indicam não apenas uma crise na educação de adultos, mas também a iminência de um desmonte estrutural do próprio sistema de EJA no estado.

É importante ressaltar que o EJA desempenha um papel específico e fundamental na redução do analfabetismo funcional, oferecendo uma segunda chance educacional para milhares de brasileiros que não tiveram acesso à educação formal na idade apropriada. A perda dessas matrículas e o fechamento das escolas representam não apenas um retrocesso educacional, mas também um desafio social e econômico para as futuras gerações.

Diante desse quadro crítico, seria fundamental que as autoridades competentes, tanto a nível estadual quanto federal, reavaliassem suas prioridades e destinassem recursos adequados para a manutenção e expansão do EJA. Além disso, também seria importantíssimo investir em programas de capacitação contínua para professores e na implementação de metodologias eficazes que possam engajar os alunos adultos de maneira significativa e produtiva.

Tudo isso são alertas claros de que é preciso agir com urgência e determinação. A educação é a base de qualquer sociedade desenvolvida e ignorar esse problema é comprometer o futuro não apenas dos indivíduos afetados diretamente, mas de todo o país. Resta-nos, como sociedade, cobrar e garantir que a educação seja tratada com a prioridade e o respeito que merece, hoje e sempre.

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