Por Ana Paula Barcellos
Ja podemos começar a falar em sustentabilidade real na moda: na última temporada de Paris Fashion Week, Stella McCartney não só desfilou looks icônicos, mas jogou uma bomba sustentável no colo da indústria: um jeans com tecnologia que absorve CO₂ e outros poluentes. Sim, você leu certo. Enquanto modelos desfilavam calças oversized e jaquetas statement em tons de azul elétrico e lavanda reluzente, o verdadeiro show backstage era a inovação que realmente tem potencial para ser “aliada do planeta”.


Imagine um tecido que, além de ter o caimento impecável do jeans clássico, ainda filtra o ar ao seu redor. Desenvolvido com a Puretech – uma collab genial com denim e fibras que reagem à luz e ao ar –, esse jeans captura óxidos de nitrogênio (NOx) e CO₂, convertendo-os em compostos inofensivos via fotocatálise. É como se cada costura fosse um mini-laboratório ecológico, inspirado em pesquisas do laboratório Ruby, da Espanha. Segundo testes independentes da The Modems, uma amostra de 30g desse tecido reduziu 2.245 ppm de CO₂ em menos de 10 horas – e cortou até 20% dos NOx globais em cenários de uso real. Não é só greenwashing: é ecofashion de verdade.


Stella e sua declaração de mudanças
Vale lembrar que a moda responde por 8% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo a Fundação Ellen MacArthur e agências da ONU. É um problema gigante: da produção de fibras sintéticas à logística voraz, a moda também está entulhando o planeta e esgotando seus recursos. O jeans de Stella não é só uma peça de passarela – é uma declaração de que essa inovação pode ajudar a trazer as mudanças que o mundo precisa. Pense nas fotos do desfile: uma modelo de óculos redondos e camisa de seda fluida, com calças cargo que parecem saídas de um moodboard cyberpunk, mas com alma regenerativa. Ou as bags oversized em denim listrado, prontas para carregar não só seu laptop, mas também um futuro mais respirável.


Aqui no Brasil, já tivemos iniciativas relevantes nesse sentido. Marcas como Malwee já lançaram camisetas com lavagem de CO₂ em collab com a Rhodia, eliminando químicos nocivos e reduzindo o impacto hídrico. Alana, Catarina Mina e Flávia Aranha apostam em tecidos naturais, biodegradáveis e compostáveis. Esses movimentos mostram que a moda brasileira também é pioneira em práticas conscientes e que é possível escolher caminhos ecologicamente sustentáveis.
Será que estamos finalmente vendo o nascimento de uma ecofashion de verdade? Espero que sim e não como trend passageira, mas como o novo normal. E Stella McCartney prova: para as grandes marcas, querer definitivamente é poder.
Foto principal: Freepik
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram @experienciasdecabide e @yopaulab
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