A febre das aesthetics: vale a pena seguir?

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Por Ana Paula Barcellos

Se você já caiu no buraco sem fim do TikTok ou deu um scroll no Instagram ultimamente, sabe do que estou falando: as aesthetics estão por toda parte (também já falei sobre microtrends e modismos por aqui): Cottagecore, com seus vestidos leves, cestas de piquenique e uma vibe de quem vive colhendo flores no campo. Y2K, resgatando os brilhos, calças de cintura baixa e o sonho de ser uma it girl dos anos 2000. Até o blokette, que mistura camisas de futebol com um charme “feminino” despojado, já conquistou seu espaço. Essas microtrends são como febres: aparecem do nada, infectam o guarda-roupa de milhares e, num piscar de olhos, dão lugar à próxima obsessão. Mas o que elas revelam sobre quem somos hoje?

As aesthetics são divertidas, mas se tornam descartáveis rapidamente. Será que vale a pena investir nestas microtends?
Foto: CateKitt

Vivemos numa era em que a moda anda na velocidade da luz. As aesthetics são filhas do algoritmo – nascem em subculturas escondidas, ganham vida nas mãos de influenciadores e explodem quando o “For You” decide que é hora de todo mundo usar meias coloridas ou coletes de tricô. É quase uma fast fashion digital: mal compramos a saia plissada perfeita ou o acessório “indispensável” da temporada, e o ciclo recomeça com um cargo pant ou uma bota chunky. A questão é: estamos correndo atrás de estilo ou apenas alimentando uma máquina de consumo?

Aesthetics, chance de escapar da monotonia?

Por um lado, essas tendências são um playground criativo irresistível. Elas nos convidam a experimentar personas diferentes – hoje, a poeta sonhadora de cottagecore; amanhã, a diva futurista de Y2K. É como se a moda virasse uma vitrine particular, um jeito de mostrar ao mundo quem somos ou, pelo menos, quem queremos ser por um instante. Há algo de libertador nisso, uma chance de escapar da monotonia e brincar com a própria identidade. Mas nem tudo são flores (ou corsets vintage). Esse ritmo alucinante das microtrends também tem um lado sombrio: será que estamos nos expressando de verdade ou só dançando conforme a música dos likes e views?

Foto: Popsugar

E aí entra o elefante na sala: a sustentabilidade. Cada aesthetic chega com uma lista de “must-haves” – o colar de pérolas, o óculos espelhado, a jaqueta oversized. Compramos, postamos três fotos no feed, e, quando a trend morre, o armário vira um museu das microtendências. Num mundo que fala tanto em consciência ambiental e consumo responsável, como justificar essa dança descartável? A moda, que já foi sobre durabilidade e personalidade, agora parece se dobrar à lógica do efêmero – e nossas carteiras e o planeta pagam o preço.

Essa foto e foto principal: Imagens criadas por IA/Grok

Talvez a resposta esteja em encontrar um meio-termo. As aesthetics são divertidas, nos conectam a memórias, desejos e até a uma nostalgia. Mas, em vez de engolir cada microtrend como um pacote completo, podemos garimpar delas o que realmente tem a ver com a gente – e deixar o resto passar. Porque, no fim das contas, estilo não é o que viraliza na tela, mas o que resiste quando a gente se olha no espelho. Isso, sim, merece ficar.

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram Me siga no Instagram @experienciasdecabide @yopaulab

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