Por Robson Moretão
Eu sou Robson Moretão, e você está em mais um capítulo da coluna “ALÉM DOS CONTROLES”.
Se você cresceu jogando títulos de corrida — seja disputando milésimos em simuladores ou simplesmente acelerando sem freio em jogos mais arcade — sabe que existe uma linha muito tênue entre “jogar” e “sentir” o jogo. E é justamente essa linha que a nova geração de simuladores vem tentando apagar.
Com o lançamento de MotoGP 26, essa discussão ganha um novo nível. Não é mais só sobre velocidade, gráficos ou licenças oficiais. É sobre como o jogador se conecta com a máquina — ou melhor, com o piloto dentro dela.
E talvez, pela primeira vez, o controle não esteja exatamente onde a gente sempre achou que estava.
O corpo como controle: a revolução do Rider Based Handling
Lançado para praticamente todas as plataformas atuais, MotoGP 26 chega com uma proposta clara: transformar a forma como você pilota — não a moto, mas o corpo do piloto.
A grande mudança está no sistema chamado Rider Based Handling. Na prática, isso significa que não é mais apenas o acelerador, o freio ou o analógico que definem sua performance. Agora, o posicionamento do piloto — o deslocamento de peso, o equilíbrio nas curvas, a forma como você “entra” em uma frenagem — passa a ser determinante.
Se antes jogos de corrida buscavam realismo através da máquina, aqui o foco é humano.
É uma evolução que lembra o salto que vimos em franquias como simuladores de corrida mais técnicos, onde pequenos detalhes fazem toda diferença. Só que agora, essa complexidade foi traduzida de forma acessível, com dois caminhos bem definidos: um modo Pro, para quem quer mergulhar fundo na simulação, e um modo Arcade, que mantém a porta aberta para novos jogadores.
Outro ponto interessante do MotoGP 26 é o sistema de avaliações dinâmicas dos pilotos. Diferente de versões anteriores, os atributos não são estáticos. Eles mudam conforme o desempenho real dos pilotos na temporada.
Isso cria algo raro nos jogos esportivos: um ecossistema vivo.
Se um piloto começa a temporada dominando, isso se reflete diretamente no jogo. Se outro entra em má fase, você sente isso na pista. É quase como se o game estivesse acompanhando o campeonato em tempo real — algo que aproxima ainda mais o jogador do esporte.

E essa ideia de imersão não para na pista.
O modo carreira foi completamente reformulado e agora gira em torno de um paddock 3D navegável, que funciona como um hub entre as corridas. Não é só uma mudança estética — é uma mudança de linguagem.
Você participa de coletivas de imprensa, define metas públicas, provoca rivais e influencia diretamente sua reputação. Isso impacta desde o desenvolvimento da moto até negociações de contrato.
Em outras palavras: o jogo não quer que você seja apenas rápido. Ele quer que você seja relevante.
A presença de um gerente pessoal no MotoGP 26 reforça isso, trazendo decisões estratégicas para dentro da experiência. E pela primeira vez, você pode assumir pilotos reais e reescrever completamente suas trajetórias.
É o tipo de recurso que conversa diretamente com uma geração acostumada a personalização, narrativa emergente e liberdade de escolha.
Fora do circuito oficial, o modo Race Off também evolui, trazendo novas pistas e introduzindo motos de produção em eventos alternativos. Isso quebra a rigidez da simulação e adiciona variedade — algo essencial para manter o jogo vivo a longo prazo.
No multiplayer, o cross-play amplia a comunidade, permitindo grids cheios e disputas mais competitivas. Já os sistemas de personalização e compartilhamento reforçam um comportamento que vai além do jogo: a cultura de criação.
Hoje, jogar também é criar, mostrar, compartilhar.
E MotoGP 26 entende isso.

Do on-line ao criativo: a comunidade como parte do jogo
O que MotoGP 26 faz não é apenas evoluir um gênero. Ele traduz uma mudança de mentalidade.
A ideia de que desempenho não depende só da máquina, mas de quem está no controle, é algo que vai muito além dos games.
Na vida real, a gente também tende a culpar ferramentas: o computador, o celular, o trabalho, o contexto. Mas, no fim das contas, o que mais pesa são as decisões — o posicionamento, o timing, a forma como reagimos às curvas inesperadas.
Jogos como esse reforçam uma habilidade silenciosa: a leitura de cenário.
Saber quando acelerar, quando frear, quando arriscar ou quando segurar.
E isso vale tanto para uma corrida virtual quanto para escolhas pessoais, profissionais ou até emocionais.
Outro ponto importante é o sistema dinâmico de desempenho. Ele mostra que consistência importa. Que fases boas e ruins fazem parte do processo. E que evolução é algo contínuo — dentro e fora das telas.
No fim, MotoGP 26 não é só sobre pilotar melhor.
É sobre entender melhor como você joga — e, talvez, como você vive.
O que MotoGP 26 ensina fora das pistas?
Se antes o desafio era dominar a máquina, agora o jogo te desafia a dominar a si mesmo.
E aí fica a pergunta:
Quando a pista muda, você ajusta sua pilotagem… ou continua acelerando do mesmo jeito esperando um resultado diferente?
Porque no fim das contas, seja no game ou na vida, não é o controle que define a corrida.
É quem está segurando ele.
Robson Moretão

Um maluco por games desde sempre – há mais de 30 anos! Sou fissurado em histórias incríveis, desafios “impossíveis” e gráficos realistas. Aqui, na minha coluna, vou falar sobre o avanço desta indústria fantástica e seus desdobramentos.
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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE

