Quando a física vira um game: a aula ganha outra fase

CAPA 0130

Por Robson Moretão

Olá, sou Robson Moretão, gamer por instinto há mais de 20 anos. E poucas coisas me animam tanto quanto ver games ultrapassando a tela.

E hoje vamos falar de algo que anima a sala de aula. A ideia parece simples: transformar o celular em uma ferramenta para aprender Física. Porém, o projeto desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas mostra que essa mudança pode ser bem maior.

O jogo “Katarina no Mundo da Eletricidade” foi criado pelo professor e pesquisador Kleber Saldanha. A proposta integra sua pesquisa de doutorado na área de Ensino de Física. O objetivo é aproximar estudantes do Ensino Médio de conteúdos considerados difíceis.

A aventura acontece dentro de um ambiente digital. Em vez de apenas decorar fórmulas, o estudante precisa explorar, tomar decisões e resolver problemas. Assim, conceitos de eletricidade entram na experiência de maneira mais interativa.

E aqui está o ponto que qualquer jogador entende rapidamente.

Games ensinam o tempo inteiro sem parecerem uma aula tradicional. Quando você aprende uma mecânica, testa uma estratégia ou supera um desafio, existe um processo de descoberta.

É justamente essa lógica que inspira o projeto da Ufal.

A pesquisa utiliza como referência a aprendizagem por descoberta, conceito associado ao psicólogo Jerome Bruner. Nesse modelo, o estudante participa ativamente da construção do conhecimento.

Pense em um RPG

Você não começa sabendo todas as regras daquele universo. Primeiro, observa. Depois, experimenta. Erra algumas vezes. Finalmente, entende como aquela mecânica funciona.

No jogo desenvolvido pela Ufal, a lógica segue caminho parecido.

A eletricidade deixa de ser apenas uma sequência de símbolos no quadro. Ela passa a fazer parte de desafios que exigem raciocínio e estratégia.

Além disso, o projeto aproveita uma ferramenta que já está presente na rotina dos estudantes: o smartphone.

Isso não significa transformar toda aula em uma sessão de videogame. A tecnologia precisa estar ligada a objetivos pedagógicos claros.

O próprio pesquisador pretende avaliar o impacto da ferramenta em sala. A análise considera compreensão dos conceitos, autonomia e estratégias usadas pelos estudantes.

Um detalhe importante

Um jogo educativo não funciona apenas porque possui pontos, fases ou personagens. A diversão precisa conversar com aquilo que o aluno precisa aprender.

“Como professor de Física conhecedor dos principais desafios em sala de aula, percebi que os jogos digitais representam uma alternativa de alto engajamento. A proposta busca ir além de um recurso didático isolado: trata-se de uma ferramenta científica inédita para tornar o aprendizado de eletricidade verdadeiramente dinâmico e significativo”, destaca Kleber Saldanha. 

A iniciativa também mostra outro papel importante das universidades públicas. Elas podem transformar pesquisa acadêmica em soluções próximas da realidade escolar.

Segundo a Ufal, o projeto foi desenvolvido com ferramentas digitais gratuitas. Recursos de inteligência artificial generativa também ajudaram na criação de elementos visuais e narrativos.

A expectativa é disponibilizar o jogo gratuitamente após os procedimentos necessários. A proposta pretende alcançar professores, estudantes e outros interessados em diferentes regiões do país.

E isso pode gerar uma mudança interessante fora da escola.

Imagine um estudante que sempre pensou não gostar de Física. Agora, ele encontra uma forma diferente de experimentar aquele conteúdo.

Talvez a fórmula continue difícil. Porém, o primeiro contato pode deixar de ser assustador.

Na vida real, aprendemos de maneira parecida. Tentamos, erramos, ajustamos e tentamos novamente.

Um bom game

A grande questão, portanto, não é colocar mais tecnologia dentro da escola. É descobrir como usar essa tecnologia para despertar curiosidade.

O projeto da Ufal mostra que educação e games não precisam disputar espaço.

Quando existe propósito, uma tela pode virar laboratório. Uma missão pode virar aprendizado. Um erro pode virar uma nova tentativa.

Depois de tantos anos jogando, fica uma pergunta: e se a próxima grande aventura não estiver em outro mundo, mas naquilo que precisamos aprender?

Foto principal: imagem de divulgação com texto inserido

Robson Moretão
Um game para aprender Física? O jogo "Katarina no Mundo da Eletricidade", desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas, mostra que sim, é possível

Um maluco por games desde a era dos pixels — e sem cura! 🎮 São mais de 30 anos nessa. Sou daqueles que piram em histórias incríveis, desafios que parecem impossíveis (mas não são) e gráficos realistas de hoje (que a gente nem acredita). Aqui na minha coluna, o papo é sobre a evolução dessa indústria insana e todos os rolês que vêm com ela, e as vezes games que mudam o cotidiano.

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Essas opiniões são minhas, viu? O LONDRINE̅NSE só deixa eu postar aqui. Se gostou, foi sorte deles. Se não gostou, foi coisa da minha cabeça. E as broncas estão tudo no meu CPF. Combinado?

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