Por Ana Paula Barcellos
A série “Casulos”, parte importante da exposição de Ângela Diana, intitulada “O que a lagarta chama de fim do mundo, o mestre chama de borboleta”, em exibição no Sesc Cadeião, foi iniciada anos atrás, antes da pandemia, e é o que liga todas as obras ali expostas: os mantos, os desenhos, as esculturas, as pinturas, todos também, à sua forma, casulos.
É possível ver, no caminho de leitura proposto pela artista, um antes, um durante e um depois. Um antes, lá atrás, nos primeiros casulos, os literais. O durante, inevitavelmente pandêmico, no casulo mais temporário, fechado a zíper, do qual é possível ir e vir apesar da suspensão do espaço-tempo.
E o depois, casulo decorado e enfeitado que agora é mais uma casca, e resiste como lembrança e prova do isolamento, um depois que segue em progresso, interminado, em fazer com prazo indeterminado.

Casulos e a evolução
Para a lagarta, o casulo representa morte – o fim da existência como a conhecia. Ela não pode imaginar a beleza que virá depois. Com a ruptura daquilo que protege mas prende, e uma visão mais ampla, compreende que este “fim” é apenas uma transição necessária para algo mais belo e elevado.

A metáfora está presente nos detalhes de todas as peças, que trazem tecidas impressões sobre momentos de crise e ruptura, muitas vezes dolorosos, mas que precederam um crescimento mais significativo. O que parece ser destruição pode ser, na verdade, o caminho para uma evolução e renovação.

Vale a pena observar a exposição de cima, partindo do sofá dos casulos, e terminar na parte debaixo, onde seria o começo. Até porque, o fim é um reinício, e a lagarta é quem ensina.
Foto principal: Freepik

Ana Paula Barcellos
É graduada em História pela UEL, Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural. Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga os Instagram @experienciasdecabide e yopaulab
Leia mais colunas Crônicas de Uma Cidade
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente a opinião do O LONDRINE̅NSE
