Luz e escuridão dos grandes mestres da pintura

Georges de La Tour, Le Nouveau-Né, vers 1645, huile sur toile, 76,7 x 95,5 cm, Rennes, musée des beaux-arts, © Rennes, Musée des beaux-arts (1)

Por Chantal Manoncourt

A luz está no coração das obras de dois grandes mestres franceses da pintura, dos séculos XVII e XVIII, que podem ser descobertas em prestigiados museus parisienses. Confira


Georges de La Tour

Nascido em 1593, este pintor do século XVII é um enigma. Reconhecido e apreciado, foi nomeado pintor do Rei Luís XIII em 1639, e suas obras adornaram as paredes de vários colecionadores renomados da época. Apelidado de “mestre da escuridão luminosa”, ele foi completamente esquecido, apagado e escondido por mais de dois séculos antes de ser redescoberto e reabilitado no início do século XX. O soberbo Museu Jacquemart-André, em Paris, expõe cerca de trinta de suas pinturas mais famosas, enfatizando o aspecto sombrio de sua pintura que, paradoxalmente, revela a obra luminosa de um dos maiores pintores franceses.

O que impressiona é a luz que emana das pinturas, enfatizando o essencial. Em “Os Jogadores de Dados”, os rostos, as mãos ou as roupas parecem existir apenas para descrever uma mensagem misteriosa. Nunca sabemos de onde vem a luz neste mestre do claro-escuro, uma luz irreal cuja difusão e intensidade podem ser explicadas pela radiação de uma lanterna ou de uma vela, como um simples projetor sobre uma tela.

Dois grandes mestres francesas estão com exposições em museus de Paris. Em ambos, a luz é está no coração das obras

O recém-nascido: a mão envolta em luz

O artista pintou inúmeras pinturas religiosas, como São Sebastião cuidando de Irene, São João Batista no Deserto ou a morte de Santo Alexis iluminada por uma esplendida tocha, mas é em seus temas seculares que encontramos sua maestria em luz e sombra. Em “O Soprador de cachimbo”, o brilho intenso do braseiro, a respiração suspensa, o brilho fugaz de um pequeno gesto, tudo aqui celebra uma poesia do efêmero.

Embora não haja símbolos religiosos em “O Recém-Nascido”, sua obra mais conhecida, alguns a veem como uma representação da Natividade com Santa Ana, a Virgem e o Menino Jesus. Uma mão envolta em luz envolvendo a cabeça de um bebê, um rosto imóvel exalando gravidade e serenidade, esta pintura ilustra com rara intensidade como de La Tour transcende uma cena doméstica apenas pelo poder da luz. Uma verdadeira obra-prima.

Jean-Baptiste Greuze


Por ocasião do 300º aniversário de seu nascimento (1725-1805), o Petit Palais presta homenagem a Jean-Baptiste Greuze. Em um gênero completamente diferente, a luz está no centro da obra do pintor, através de uma bela coleção de pinturas, gravuras e desenhos. Ele retrata a vida cotidiana e apresenta o homem em todas as suas facetas: um jovem pastor, um almoço em família, mas também esta cena cômica e muito realista de uma mulher furiosa diante de uma criada impassível que quebrou ovos!

Retratos de crianças

Mas ele se destacou sobretudo em retratos de crianças. Um pai exemplar, colocou a infância em evidência numa época em que seu reconhecimento era motivo de debate. Muitas de suas composições evocam o papel essencial dos pais na educação dos filhos, confirmando a hostilidade de Greuze à entrega de crianças a amas de leite. Assim, pintou crianças alegres e felizes com grande ternura, o que se reflete nos retratos de suas filhas, uma com um cachorro e a outra com uma pomba, sem esquecer uma criança adormecida retratada com sincero afeto.

Fotos: © : Preston Park Museum and Grounds -Photograph by Simon Hill / Scirebröc ; Tokyo Fuji Art Museum Image Archives/DNT Partcom; © Rennes, Musée des Beaux-arts; Musée Fabre de Montpellier Méditerranée/Photo Fréderic Jaulmes ; Grand Palais Rmn (musée du Louvre) Photo Michel Urtado; © Musée de la Chartreuse, Douai, France / Photo Daniel Lefevre ; Collection particulière ; Palais des ducs de Lorraine – Musée Lorrain, Nancy/ photo Jean-Yves Lacôte.

Serviço:

Georges de La Tour : Entre ombre et lumière (Entre sombra e luz)
  • Musée Jacquemart-André, 158 boulevard Haussmann 75008 Paris até 26/01/2026
Jean-Baptiste Greuze : L’Enfance en Lumière (Infância em destaque)
  • Musée du Petit Palais 75008 Paris até 25/01/2026

Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.

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