Por Chantal Manoncourt
Pela primeira vez em sua história, o Louvre sedia uma exposição inteiramente dedicada à moda. A ambição do museu parisiense é mostrar a conexão entre objetos de arte e roupas de alta costura e jovens designers com talentos promissores.
A exposição Louvre Couture oferece um diálogo marcante e único entre as obras-primas do departamento Objetos de Arte do museu e peças significativas da história da moda contemporânea, entre os anos de 1960 e 2025.
A influência da arte

Assim, no próprio coração das coleções do museu, em quase 9.000 metros quadrados, há cerca de uma centena de silhuetas e acessórios que ressoam de forma ora erudita ora comovente e poética, com a história das artes decorativas, dos estilos, dos ofícios e do ornamento, ilustrando os laços muito estreitos que unem moda e arte. Tantos empréstimos notáveis concedidos pela primeira vez por 45 das mais icônicas casas e designers de alta costura da história da moda.

Da antiguidade ao século XVIII
Embora paradoxalmente o Museu do Louvre não tenha nenhuma vestimenta propriamente dita, com exceção de suntuosos mantos religiosos, as roupas estão por toda parte em suas galerias: de um antigo baixo-relevo a pinturas do século XVIII. No entanto, notamos pinturas ou decorações inspiradas na religião presentes nas vitrines, como um vestido preto ao lado de ricos casacos ou um simples vestido dourado decorado com um ícone cercado por joias.
No Departamento de Artes Decorativas, a presença dos têxteis é fundamental, muitas vezes mais focada em grandes decorações e tapeçarias do que em vestuário. Assim, inúmeros manequins trajando vestidos suntuosos são instalados diante de tapeçarias, impressionantes em tamanho e cores, que inspiraram os estilistas. É também uma oportunidade de descobrir a riqueza dos salões medievais que exibem tesouros, cerâmicas envernizadas, joias esculpidas, baús de madeira entalhada, vitrais coloridos…

Haute Couture

De Christian Dior a Jean Paul Gaultier, passando por Hubert de Givenchy e designers mais contemporâneos, a alta-costura francesa, símbolo da criatividade excecional de grandes costureiros, é famosa no mundo todo. O vestido de noite vermelho de Christian Dior, embelezado com veludo, seda, arminho e bordados, é magnificamente exibido na decoração escarlate de um salão do século XVIII.

Mais adiante, a longa silhueta verde de Jean-Paul Gaultier contrasta, mas o designer se diverte reinventando as crinolinas de uma forma bem moderna. Um casaco de seda bordado parece se misturar à decoração de uma parede azul, um chapéu em forma de rena parece emergir da tapeçaria instalada atrás dele… os exemplos são numerosos e encantam os visitantes com sua audácia e inventividade constantemente renovada

De Chanel aos designers contemporâneos
Gabrielle Chanel reuniu em seu apartamento uma coleção eclética de objetos de arte de todos os horizontes, entre os quais biombos chineses feitos de painéis de laca que antes a acompanhavam em outras de suas residências. Encontramos a inspiração da famosa designer diretamente em um casaco de noite, sobre fundo preto, suntuosamente bordado.

Para a última coleção da Chanel, Karl Lagerfeld, seu famoso sucessor, inspirou-se no suntuoso século XVIII. Deste período, que muitas vezes influenciou suas criações e que ele conhece perfeitamente, conserva, desta vez, as formas e os ornamentos dos objetos de arte. Assim, uma cômoda azul e branca chamou particularmente sua atenção, como evidenciado por esta jaqueta onde as decorações de animais e flores são removidas do móvel, para serem inteiramente cobertas com lantejoulas brancas, enquanto os bronzes prateados e as volutas pintadas se tornam elementos bordados.

Por fim, designers contemporâneos não hesitam em brincar com o metal, inspirando-se em armaduras, ou objetos de ouro como esse incrível e surpreendente espartilho. Uma exposição original que fez muito sucesso em Paris.


Louvre Couture. Objets d’art, objets de mode até 21 de julho 2025 no Museu do Louvre 75001 Paris
Fotos: © Musée du Louvre/Nicolas Bousser ; Nicolas Mathéus
Chantal Manoncourt

Parisiense, arqueóloga e jornalista, apaixonada pelo Brasil, já escreveu vários livros sobre turismo brasileiro.
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