7 motivos para votar em Lula, sem ser petista, lulista ou ignorante

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Por Telma Elorza

No próximo domingo (25), meu voto é 13, Lula. E antes que comecem a me atacar, esclareço: não sou petista, não sou lulista e me posiciono politicamente no centro. Não tenho filiação em partido político,  não tenho político de estimação e nem terceirizei minha capacidade de pensar.  Sou uma jornalista ética, que não troca seu senso crítico por nada.

Meu voto não é uma declaração de amor a Lula. Pelo contrário, sempre fui crítica do PT e do próprio Lula. A única vez que votei nesse partido foi em 2022, para vencer Jair Bolsonaro, depois de uma gestão catastrófica e genocida.

Meu voto é uma escolha política diante das alternativas que temos. E, quando olho o que está em jogo, tenho bons motivos para votar no Lula. Nenhum deles envolve fechar os olhos para os defeitos e contradições do atual governo, que são muitos.  

Os motivos para votar em Lula:

1- Salvaguardar o SUS

Eu uso o SUS e não tenho vergonha disso. O SUS tem defeitos? Tem. Faltam médicos nas UPAS e UBS? Sim, mas essa parte é responsabilidade das Prefeituras, já que o SUS é gerenciado em parceria entre Governos Federal, Estadual e Municipal. As prefeituras são as responsáveis por contratar pessoal. Recebem dinheiro do Governo Federal e do Estadual para isso.

O SUS não é favor, esmola ou prêmio para quem não pode pagar um plano privado. É um direito constitucional. O artigo 196 da Constituição Federal estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado.

Lembro quando, em 1985, o SUS não existia e, para fazer o parto do meu filho, uma prima teve que me registrar como empregada doméstica (eu ainda era estudante e não tinha carteira assinada) porque o então INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) só garantia assistência médica em hospitais aos trabalhadores com carteira assinada que contribuíam com a Previdência. Se não tivesse sido registrada como empregada doméstica eu ou teria que pagar meu parto ou ficaria à mercê de instituições de caridade.

Hoje, qualquer gestante faz seu pré-natal inteiro nas UBS e tem seu parto garantido em qualquer hospital credenciado ao SUS.

Hoje, eu dependo desse sistema para manter minha saúde – sou diabética e hipertensa. Há sim, problemas com o SUS, não sou cega ou idiota, mas a solução é fortalece-lo, não enfraquece-lo em nome de uma suposta eficiência que só funciona na propaganda.

2 – Farmácia Popular faz diferença no orçamento

Quem precisa de medicamentos de uso contínuo, principalmente a população de baixa renda, sabe que a saúde também é matemática: ou compra remédio ou come (como está acontecendo atualmente na Argentina). Pode parecer pouco para quem tem uma vida confortável, que nunca precisou escolher entre um remédio ou uma conta de luz. Mas, para milhões de brasileiros, faz a diferença.

3 – Garantir a aposentadoria porque envelhecer não é crime

Aposentadoria não é presente do governo. É resultado de uma vida de trabalho e contribuição à Previdência Social. Nós, aposentados, queremos envelhecer com dignidade, pagar nossas contas, ter um mínimo de qualidade de vida. Em muitos casos, apenas sobreviver. Não queremos ser tratados como números em uma planilha. O candidato Flávio Bolsonaro já afirmou que vai mexer na aposentadoria, desvincular do salário-mínimo, não corrigir as atuais aposentadorias e, pior, aumentar de novo a idade mínima para que alguém se aposente. Tudo isso ele já falou publicamente. Pesquise no Google.

4 – Para que os não evangélicos não sejam rebaixados a cidadãos de 2ª. classe

Cada um tem direito constitucional de professar a fé que quiser. O artigo 5º. da Constituição protege a liberdade religiosa. O Estado brasileiro é laico e isso significa que nenhuma religião deve ter privilégios políticos que comprometam os direitos das demais.

Como Umbandista, hoje já sinto na pele o preconceito contra as religiões de matriz africana. Há um grande racismo religioso contra nós. Quando a fé virar instrumento de poder, pode ser que nem sobrevivamos, porque estaríamos sendo caçados pelos evangélicos radicais. E não teremos nem a quem recorrer.

5- Combater a fome e a pobreza não é “sustentar vagabundo”

O Bolsa Família e outras políticas sociais ajudam famílias carentes a enfrentar a pobreza e a insegurança alimentar. São instrumentos de proteção social e não esmolas. Praticamente todos os países desenvolvidos possuem algum tipo de auxílio ou programa de proteção social para a população de baixa renda. França, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Portugal, Japão e até os Estados Unidos estão entre eles. É só pesquisar no Google.

Mas, no Brasil, insistem em tratar o pobre como suspeito permanente enquanto consideram perfeitamente natural que setores empresariais recebam incentivos públicos. Só em 2025 foram gastos R$158 bilhões com o Bolsa Família. E R$490 bilhões com incentivos e benefícios fiscais para grandes empresas e corporações, segundo dados da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidade Tributária (Dirbi) da Receita Federal. Um valor que equivale a aproximadamente 4,5% do PIB Nacional.

E, claro, o setor agropecuário e agroindústrias foram beneficiados com outros R$158 bilhões em isenções fiscais federais em tributos e insumos (adubos, defensivos e isenção de impostos nas exportações), além de créditos e subsídios diretos com o Plano Safra e outros R$ 78 bilhões em subsídios direcionados à Agricultura Familiar.

Tem muito mais incentivos federais para atividades econômicas, mas já me estendi demais.  

A indignação seletiva é realmente uma coisa fantástica. Fiscaliza-se até o centavo que vai para o pobre, mas quando o dinheiro vai para os grandes interesses econômicos aparecem muitas justificativas.

6 – Democracia não é gostar do resultado que nos favorece

Democracia exige respeito à Constituição Federal, eleições diretas,  imprensa livre, instituições funcionando e direito à oposição. Não é preciso concordar ou gostar do Lula para defender a democracia.

Flávio Bolsonaro representa a continuidade política bolsonarista, o que torna necessário examinar suas propostas – ele já disse que quer mudar ao Constituição e estender seu mandato -, suas alianças e seus compromissos com as instituições democráticas. Aliás, uma das maiores preocupações de Flávio Bolsonaro é tirar seu pai da cadeia, onde está por ter tentado um golpe à democracia.

Não preciso inventar ameaças, mas prevejo o futuro do Brasil como uma ditadura, sob o comando da família Bolsonaro.

7 – O Brasil não pode virar quintal dos Estados Unidos

Esse talvez seja um dos motivos mais importantes para meu voto em Lula. Flávio Bolsonaro quer entregar nosso país, nosso ouro, nosso petróleo, nossas terras raras (segunda maior reserva mundial, atrás apenas da China) e até nossa água ao governo dos Estados Unidos. Ele já ofereceu colocar sua eventual equipe de transição à disposição do governo estadunidense caso fosse eleito presidente. Não estou mentindo, procura no Google.

E adivinha quem seria o maior beneficiado com essa parceria? Claro, os Estados Unidos. Uma das imposições de Donald Trump, nesse momento, seria cortar relações comerciais com a China, nosso maior parceiro comercial. Bolsonaro quer estender um tapete vermelho na porta do Brasil e dizer “seja bem vindo, pegue o que quiser, faça nosso país falir, nos escravize, que ficaremos felizes”.

O Brasil é soberano. Não somos um território disponível para exigências políticas e comerciais de Washington. Flávio Bolsonaro não pretende governar o Brasil para os brasileiros. Ele é capacho de Trump. E isso importa para quem exporta, para quem trabalha, para quem depende dos serviços públicos e para quem entende que soberania nacional não é apenas uma palavra bonita.

Tem muitos mais motivos, mas esse texto já está muito grande, por isso vou parar por aqui. Nem vou falar das rachadinhas, corrupção, milícia e outros que tais que envolvem Flávio Bolsonaro.

Minha posição política é e sempre foi de Centro. Mas tenho inúmeros motivos para votar em Lula, neste domingo (25). Aqui, listo alguns deles
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mas, como já disse, sou uma mulher de centro, não uma militante que precisa concordar com Lula. Não é preciso ser esquerdista para entender que Presidência da República não é um cargo a ser negociado como se o Brasil estivesse à venda. Já temos problemas suficientes para resolver, não precisamos de mais e piores.

Por tudo isso e muito mais, é Lula 13, no dia 25.

Foto principal: Ricardo Stuckert/Partido dos Trabalhadores

Telma Elorza 

É jornalista, escritora e contadora de histórias, trabalhou na Folha de Londrina por quase 20 anos e no Jornal de Londrina por outros 10 anos, locais onde atuou como repórter, redatora e editora nas áreas de Economia, Política e Agronegócio, entre outras. Em 2019, fundou seu próprio jornal, O LONDRINE̅NSE, e se tornou entrevistadora do O LONDRINE̅NSE POD.

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Respostas de 3

  1. Parabéns Telma, Assino junto! Texto lúcido, claro, objetivo. O foco desta eleição é democracia, soberania, liberdade e manutenção das conquistas e direitos sociais. Por isso Lula 13 no próximo domingo!

  2. Excelente. Texto claro e lúcido. A Democracia e a Soberania (sim, maiúsculas) correm risco, e dependem sim do voto consciente. E, também, por consciência de classe, eu voto Lula. Eu voto 13.

  3. Seu texto é um exercício puro de seletividade, parcialidade e “passa panismo”.

    Você diz que não é petista e que não tem “político de estimação”, mas usa duas páginas para tentar justificar o injustificável e passar pano para quem aparelhou o Estado por duas décadas.

    Primeiro: Lula não foi inocentado. Foi DESCONDENADO por manobras e vícios processuais, depois de ser julgado e condenado por dezenas de magistrados em três instâncias. Tratar os bilhões desviados pela Petrobras como um “detalhe” é uma afronta a qualquer um que se diz crítico.

    Segundo: enquanto você cria um apocalipse abstrato sobre a oposição, ignora totalmente o desastre econômico do governo atual e as falas lamentáveis do próprio Lula. Aguentei 20 anos de desmando do PT. E agora está temerosa por causa de 4 anos da direita assumir? Sinceramente.

    Esqueceu quando ele disse que “se o cara é corinthiano, tudo bem” bater na mulher depois do jogo? Ou quando desdenhou do trabalhador chamando de “ajudante geral”? Ou quando questionou a imagem de um negro e banguela representando o Brasil? Ou quando debochou da saúde masculina dizendo que homem é “cheio de trejeito” e que as mulheres estão acostumadas ao “toque” desde pequenas?

    Imagine se tudo isso tivesse sido dito pelo Jair Bolsonaro! O país estaria em chamas! Mas como é o Lula né? São só “gafes”.

    Para essas barbaridades não tem texto de indignação? O brasileiro cansou dessa história de “voto relativo”, “passar pano”, “memória seletiva” de jornalistas como você, que são formadores de opinião. Isso é jornalismo parcial.

    Prefiro a incerteza de um novo caminho do que a certeza do retrocesso e do escândalo continuado. Coerência faz bem, inclusive no jornalismo.

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