Artistas Londrinenses: “A Casa da Onça”

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Por Ângela Diana

Que mulher que vira onça que nada! Quer melhor que isso? Que tal uma onça morando na sua casa permanentemente? Pois é, na casa do nosso amigo irmão artista Frutuoso, isso é uma verdade. Já falei um pouquinho da obra do Frutuoso aqui (pouquinho, porque entre desenhos, pinturas, objetos são para lá de mil, tudo organizado por ano, como manda o figurino). Mas, na coluna de hoje, o que está em pauta é a frente da casa dele e o jardim, que é uma verdadeira instalação…

Fachada da casa – Foto: Acervo pessoal

Tive a grata oportunidade de presenciar cada mudança na fachada da casa e dos jardins, a troca das mudas de flores, como foram feitos os bancos e o painel de cimento enorme, representando uma onça pintada verdadeiramente brasileira! Com alma e espírito de artista e técnicas mistas, trazendo toda a experiência que ele teve no ramo da construção, Frutuoso dá a vida ao cimento!

A onça – Foto: Acervo pessoal

Uma das características da sua obra é a cor, e em quase todos os trabalhos de objetos, ele utiliza um ícone da infância de quem nasceu nos idos dos 60 ou 70: a bolinha de gude! Uma hora elas viram olhos, em outro momento elas são elas mesmas colocadas em montes ou uma ao lado da outra, mas estão lá!  Muitos já tentaram erroneamente colocar a obra do Frutuoso na “caixinha” e não sacaram que o seu trabalho não é primitivo (nada contra, tá?), mas sim uma obra recheada de tendências surrealistas e muitas trazem um humor inteligente e sutil. Basta olhar! Está lá, para quem tiver olhos e sentimentos para VER.

As obras incomodam muita gente e isso as torna mais especiais! Preciso colocar aqui que Frutuoso é um vencedor! Sempre em trabalhos paralelos à arte, ele mantem sua produção incessante e também é um símbolo da resistência de uma pessoa que, além de ser artista, ainda enfrenta o racismo que existe vergonhosamente no nosso país!

Hoje em dia, a obra dele só sai do seu atelier quando ele acha propício, então para quem quer conhecer mais do seu trabalho siga o insta @jm.frutuoso e entre em contato pelo direct! E, para constar, ele curte rock and roll e o barroco Bach, como um bom artista rebelde que sobrevive as intempéries sem perder o prumo. E toca Bach no violão e na guitarra!

Semana que vem a continuação, a parte 2 da coluna “Quando o Deus da arte dá um toque” . Isso porque eu “nem gosto” de seriados (Deus está vendo, Ângela)!

Bom final de semana !E tirem todos os escorpiões do bolso e colaborem com NOSSO jornal pelo CATARSE. 

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Acervo pessoal

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