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Tubarão fiel: Troca de bastão no Londrina

Roberto Fonseca substitui Alemão no comando do LEC e, como no atletismo, há sempre o receio de deixar cair o bastão

A técnica da passagem do bastão no atletismo define quem vence as provas dos 4×100 metros e dos 4×400 metros. Qualquer vacilo de um dos corredores que passará o bastão para o próximo companheiro põe tudo a perder. O maior temor dos corredores é deixar o bastão cair no chão.

É mais ou menos o que está ocorrendo neste momento no Londrina com a saída do técnico Alemão do comando do time após o retorno de Roberto Fonseca. Há certa expectativa da torcida e imprensa nessa transição. Muito em função do estilo ofensivo utilizado por Alemão neste início de temporada.

Na “mini Era” Alemão, o LEC sofreu somente três derrotas, sendo duas delas no início do Campeonato Paranaense e a outra justamente diante do Coritiba no último domingo – o único revés em nove jogos disputados fora de casa. Sob seu comando, o LEC disputou 16 partidas obtendo 7 vitórias, 6 empates e 3 derrotas – um aproveitamento de 56,25%. Foram 26 gols a favor e 18 gols sofridos.

Evidentemente que Alemão segue na comissão técnica, mas como mais um auxiliar de Fonseca que já tem ajuda do filho, o Roberto Fonseca Júnior. Como foi possível observar na Série B em 2018, Fonseca tem um estilo mais conservador de armar suas equipes. Preferencialmente, busca reforçar o sistema defensivo.

Foi isso que também se viu na sua passagem pelo Novorizontino no Campeonato Paulista. Suas equipes se defendem e exploram os contra-ataques. Utiliza jogadores rápidos pelas extremas e que sabem recompor a defesa quando seus times são atacados. Já com Alemão pôde-se observar um time mais agressivo e até, em certa medida, irresponsável nos cuidados defensivos. Foi assim que brindou o torcedor alviceleste com um futebol alegre e de belos gols.

Além da postura tática, outra preocupação é com as jovens crias da base do Tubarão. O atacante Anderson Oliveira e o meia Luquinha brilharam neste início de temporada e há o temor de que ambos percam espaço no time com a chegada de jogadores mais experientes.  

É aí que entra a sensibilidade de Fonseca em dar a chance necessária para que a garotada possa mostrar seu potencial nessa dura Série B. Ou seja, espera-se que Fonseca literalmente não deixe cair o bastão – ou a peteca, como se diz no jargão do futebol – neste seu retorno ao LEC. Pesa a seu favor o ótimo desempenho obtido em 2018 – ficou empatado com Fortaleza e Ponte Preta no returno da Série B com 59, 65% de aproveitamento-, quando tirou o Tubarão da zona do rebaixamento e quase o levou à Série A.

E o primeiro desafio de Fonseca será contra o experiente time do Bahia pela Copa do Brasil. A primeira partida deve ocorrer na quarta-feira (17), em Salvador, quando o treinador terá pouco mais de uma semana de contato com o elenco alviceleste. Nesse duelo o time baiano é o favorito, mas como já escrevi neste espaço “sonhar não custa nada” e o LEC pode sim buscar mais uma inédita classificação na Copa do Brasil.

BARBATANA – A homenagem da semana é para o técnico Alemão pela postura tática adotada no Londrina e pelo bom relacionamento com o torcedor e a imprensa. Mesmo criticado em alguns momentos, o jovem treinador mostrou profissionalismo e respondeu aos questionamentos nas coletivas sem qualquer ranço. Parabéns ao Alemão pela atitude e por mostrar que tem uma promissora carreira pela frente.

MANDÍBULA – Ridículo esse ataque a pedradas ao ônibus da delegação do Palmeiras na última quarta-feira, momentos antes da partida contra o Junior Barranquilla, pela Libertadores. Não se pode chamar esses vândalos de torcedores. São bandidos e, como tal, deveriam ser punidos até com prisão, além de serem banidos dos estádios. Passou da hora dos cartolas de clubes apertarem o cerco com as tais “organizadas”, que só têm afastado os bons torcedores dos estádios.

Foto: Gustavo Oliveira/LEC

Claudemir Scalone

Sou jornalista formado pela UEL (1987/1990) e apaixonado por Londrina e pelo Londrina Esporte Clube. Já trabalhei no Correio Londrinense (1992/1994) e na Folha Londrina, onde fui revisor, repórter, redator e editor (1990/1992 e 1994/2018). Meus lugares preferidos são o Zerão e o Lago Igapó onde faço caminhadas e fotos desse cartão postal de Londrina. E, claro, o Estádio do Café é outro lugar favorito, pois lá é a casa do Tubarão. Como todo torcedor do LEC, sonho em ver o time voltar à Série A do Brasileirão, porém, antes disso espero que o clube se reestruture a ponto de não precisar terceirizar seu departamento de futebol.

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