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A importância do não

Vou escrever uma coisa muito óbvia, falada insistentemente por especialistas em psicologia e educação desde sempre: fale não para seu filho. A criança precisa receber não dos pais. Negar coisas que você sabe que não são as melhores escolhas para seu filho é demonstrar amor. Mesmo que a criança não goste, ela tem que ser frustrada até entender (mesmo que seja muito difícil) que não pode fazer tudo o que quer. 

Vou dar um exemplo prático de como ter negado coisas para meus filhos me ajudou inclusive a manter a saúde deles. Quem nunca ouviu uma avó ou tia falar: dá um pouquinho de refrigerante para ele! Não vai fazer mal! Tadinho, está pedindo! Está com vontade! Que dó negar comida para criança. 

Acontece nas melhores famílias, haha. Em casa, tanto eu como meu marido somos firmes com as crianças em vários aspectos. Uma coisa que acostumei os dois desde cedo foi comer bem. Não dava doce, pirulito, chocolate, refrigerante. Tudo isso era proibido para eles. Segurei o máximo que pude, depois fui liberando uma coisinha ou outra enquanto eles cresciam. 

Como nossa educação em casa priorizava educar e não simplesmente dar o que eles queriam na hora que queriam, estavam acostumados a serem frustrados. Nem sempre gostavam, mas entendiam.

Foi quando descobrimos que o Rafa tinha intolerância à lactose. Ele tinha repetidas crises de asma, abdômen inchado, problemas intestinais e, depois de vários testes, a pediatra pediu para tirar a lactose da alimentação dele. Três anos atrás não tinha tantos produtos sem lactose, e ele também não podia ainda tomar enzima lactase, que hoje ajuda quando ele come alguma coisa com lactose.

Na época a reação do corpo dele à substância era grave e tive que explicar que, a partir daquele momento, não poderia mais comer doces na festinha dos amigos da escola, que não podia mais consumir queijo branco da feira – que amava e comia todos os dias – , além de muitas outras coisas que costumava comer entraram, do dia para a noite, na lista de alimentos proibidos.

Ele tinha acabado de fazer dois anos. Todo mundo ficava com dó de negar coisas que ele pedia, mas eu sempre explicava “filho! Isso tem lactose! Vamos escolher outra coisa para você comer?”. Nem sempre era fácil… nos aniversários principalmente dava dó. Mas era necessário! As crises de asma judiavam demais dele (e para quem não entendeu a relação da asma com a lactose, o leite é um agente inflamatório e, no caso dele, a lactose fazia o corpo produzir muco que atingia as vias respiratórias).

Depois disso, descobrimos que Biel tinha alergia a corante vermelho. Como ele via que o Rafa não podia comer muitas coisas, também aceitou bem quando eu expliquei quais alimentos não poderia consumir. 

Ao invés de ter dó e demonstrar esse sofrimento a eles, foquei no que poderiam comer e falei que eu também, quando criança, não podia comer chocolate. A verdade é que eles vão reagir com naturalidade se você também agir assim.

Ensine seu filho que ele não é um coitadinho porque não tem tudo o que quer nem come tudo o que deseja. Até porque tem crianças por aí sofrendo de verdade. Entender essa verdade cedo trará enormes benefícios para ele no futuro!

Foto: Visual Hunt

Paula Barbosa Ocanha 


Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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