Por Fábio Luporini
Gosto de comprar água com gás. Sempre tem uma garrafa de um 1,5 litro ou várias de 500 ml na minha geladeira. Normalmente, quando compro a garrafinha no supermercado, pago em média de R$ 0,99 a R$ 1,19 a unidade, totalizando de R$ 2 a R$ 1,40 o litro da água com gás. Dependendo da marca, pode sair um pouco mais caro. Entretanto, dias desses, a notícia que estampou as manchetes dos portais me chocou: um litro de água estava sendo vendido a R$ 94 no litoral norte de São Paulo, atingido e castigado pelas chuvas e onde, por conta da tragédia, faltava água potável para as pessoas.
Esse preço é explicado, embora não justificado, pela chamada Lei da Oferta e da Procura, uma teoria clássica da economia, desenvolvida pelo pensador liberal Adam Smith. E funciona de modo muito simplista: quando há pouca procura por um determinado produto, o preço cai. Quando há muita procura pelo produto (ou serviço), o preço sobe, fica lá em cima e as pessoas pagam mais por aquilo. Há ainda outro fator determinante nesse aspecto: a quantidade do produto ou do serviço ofertado.
Veja, se há muita procura, mas, também, há muita oferta, então o preço se mantém equilibrado. É o caso da água. Quando vou ao mercado, sempre há oferta abundante do serviço. A exceção ficou por conta da situação de emergência vivida pelos moradores do litoral norte de São Paulo. Por isso, a Lei da Oferta e da Procura tem uma faceta desumana quando eleva o preço do produto em falta, em escassez, e muito buscado numa situação de tragédia, de emergência, de dificuldades.
O mau exemplo de comerciantes que buscam lucrar com a desgraça alheia é o retrato de um país insensível com relação ao sofrimento humano, principalmente, quando há pessoas que se tornaram vítimas do descaso público e da falta de planejamento e organização habitacional. Por que, então, a filosofia é tão importante? Em primeiro lugar, para nos fazer conhecer, entender e compreender as teorias que regem o mundo. Em segundo lugar, para nos fazer ser mais humanos e sensíveis em relação aos nossos pares. Até quando mesmo?

Fábio Luporini
Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


