O Brasil está à beira de uma das mais graves e severas intervenções pelas quais já passou. Aliás, esse projeto pode já estar em curso há algum tempo. E, quando menos se espera, perceberemos que o avanço e os estragos podem ser tão profundos quanto difíceis de serem revertidos. Diferentemente do que ocorreu no Brasil com o golpe militar de 1964, articulado quase uma década antes, o que está acontecendo agora é mais sutil e sorrateiro, embora dê variados sinais de que existe.
O fato de o presidente Jair Bolsonaro intervir na presidência da Petrobras, como fez na semana passada, demitindo o então presidente da empresa, Roberto Castello Branco, e, mais uma vez, indicando um militar para um posto importante do governo, é uma indicação de que esse sujeito que ocupa a presidência não está nem aí para o país. Ao contrário, está visando apenas a interesses particulares, sejam quais forem. Se, desta vez, não se pode falar em intervenção militar, propriamente dita, porque grande parte das Forças Armadas não está em consonância com o discurso presidencial, podemos, ao menos, classificar essa intervenção como antidemocrática.
E isso o falso messias já demonstrou com evidências de sobra. Só pelo fato de tentar intervir em investigações em curso, principalmente, aquelas que dizem respeito a si próprio e aos seus desajeitados e antidemocráticos filhos. Além disso, as recorrentes ameaças ao sistema eleitoral brasileiro colocando em xeque a urna eletrônica ou à eficácia de programas de imunização, como a vacinação contra a Covid-19, são alguns dos inúmeros exemplos de que está no poder um projeto político pessoal e completamente em desacordo com a democracia. O que é extremamente perigoso.
Não tenho elementos para dizer que interesses estão sendo servidos. Só sei que é preciso estar alerta porque mais cedo ou mais tarde as coisas ficarão mais claras. E tomara que não seja tarde demais. Além do que será necessária uma boa dose de mobilização popular para não ficarmos presos em garras tão obscuras.
Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay


Uma resposta
Se não tem fundamentos para afirmar quais interesses estão sendo atendidos certamente não tem discernimento para perceber os propósitos.