Tron: Ares é para fãs

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Por Marcelo Minka

A nova aventura do universo Tron, sob direção de Joachim Rønning (Kon-Tiki, 2012), propõe uma inversão sutil: em vez de humanos entrando no digital, aqui é o digital que cruza a fronteira para o real.

Jared Leto (Clube de Compras Dallas, 2013) interpreta Ares, uma inteligência artificial sofisticada projetada pelo ambicioso Julian Dillinger, vivido por Evan Peters (Dahmer, 2022), para atravessar o “Grid” e se manifestar no mundo humano, embora com limitação de tempo, trinta minutos de existência, até que o “código da permanência” seja encontrado. Greta Lee (Past Lives, 2023) dá vida a Eve Kim, figura-chave na busca dos resquícios de Kevin Flynn, interpretado por Jeff Bridges (O Grande Lebowski, 1998), em um retorno nostálgico à mitologia Tron. O roteiro, assinado por Jesse Wigutow (It Runs in the Family, 2003), flerta intensamente com a dialética entre controle, consciência e obsolescência.

Se visualmente Tron: Ares cumpre seu dever com brilho, luzes neon, cenários virtuais que se desdobram em camadas de reflexo e escultura digital, no campo narrativo surge um eco de déja vu. A película se sustenta em sua estética high-tech e nas sequências de ação bem coreografadas, mas peca pela previsibilidade e pela superficialidade de motivações.

Jared Leto exibe contenção no papel do programa que busca sentido, evitando grandiloquência; já Evan Peters escalona seu vilão com intensidade, como se fosse um investidor frio disposto a sacrificar sua criação após o uso. A partitura eletrônica, assinada por Trent Reznor (A Rede Social, 2010) e Atticus Ross (Garota Exemplar, 2014), reforça a ambiguidade entre o mecânico e o pulsante e, em alguns momentos, consegue elevar tensão e atmosfera.

No novo episódio da saga, Tron: Ares traz a proposta de trazer o digital para uma realidade - um espaço de ruína e nostalgia.
Fotos: Divulgação

Tron: Ares e a humanidade no digital

Mas o que realmente move Tron: Ares é a sua tentativa de devolver humanidade ao digital. Ares, um código que sonha com o corpo, espelha as ansiedades contemporâneas sobre a criação e o criador, um Frankenstein de silício e empatia. Rønning, com sua câmera de movimentos precisos e brilho meticuloso, parece perguntar até onde o humano é programável. O mundo fora do Grid é mostrado como um espaço de ruína e nostalgia: concreto corroído, luz rarefeita, tempo desbotado. Há, nesse contraste, um comentário visual sobre o presente, um planeta cansado que talvez precise da frieza da máquina para sobreviver à sua própria emoção.

Em contraste com produções brasileiras recentes como O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho (Bacurau, 2019), que ousa no debate político e existencial contemporâneo, Tron: Ares tempera seu discurso de transcendência com sabores levemente açucarados para agradar as bilheteiras. Para fãs do gênero.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry

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Uma resposta

  1. Marcelo, estava falando com alguns amigos, da época do primeiro filme, e tenho uma curiosidade ! O que vc acha dessas novas sequências de filmes que marcaram tanto algumas épocas? Particularmente,por exemplo, não gostei das sequências de alien, o oitavo passageiro. Abração e obrigada, vc sempre traz filmes e dicas ótimas!

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