Ministra lançou, nesta terça de manhã, na cidade, o primeiro Polo do Agro do país
O LONDRINENSE com assessoria
A criação do primeiro Polo de Inovação Agro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em Londrina, foi um dos atos da ministra Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, durante sua visita ao Agrobit Brasil, na manhã desta terça-feira (12). O ato assinado durante a abertura do evento foi uma espécie de chancela para que o Polo saia do papel.
Segundo a ministra, a ideia é criar vários polos pelo Brasil para que conversem entre si, com o objetivo de trazer mais tecnologia para o campo. “Nós estamos trabalhando numa política para pensar em inovação e tecnologia. O Agro, hoje, está num momento de avançar nesse setor. São Paulo e Paraná estão na frente, mas a gente quer descentralizar para outros estados da União para que a tecnologia se sobreponha”, disse. A ministra afirmou que o país vive um ótimo momento comercial, com a economia crescendo novamente. “Acho que está na hora de a tecnologia se sobrepor agora para que possamos ser esse grande celeiro mundial”. Segundo ela, o polo terá recursos do MAPA, mas isso ainda não foi quantificado.
De acordo com o consultor do Sebrae Lucas Ferreira, o Ecossitema do Agro em Londrina escolheu como área do Polo de Inovação o complexo de grãos e três tecnologias: biotecnologia, inteligência artificial e Internet das Coisas. O cruzamento dessas tecnologias transversais com o complexo grãos coloca Londrina como destaque nesta área. “Num segundo momento, será feito um levantamento para identificar, dentro do Ecossistema, quais são os gargalos que precisam ser trabalhados e melhorados. O terceiro passo será a captação de recursos públicos e privados para ampliar as infraestruturas, ações estruturantes e calendário de eventos”, explicou.
Para capitalizar a iniciativa, o consultor disse que existem várias fontes de recursos. “Estamos em negociação com a Frente Parlamentar do Agronegócio para liberação de emendas parlamentares para ampliar as estruturas, além de outras possibilidades junto à iniciativa privada e fundações, além de algumas parcerias com o MAPA. A Sociedade Rural está captando recursos no valor aproximado de R$1 milhão para ampliação de suas estruturas e construção da Vila Tecnológica. A ideia é que, no primeiro semestre do próximo ano, comece a ampliação dessas estruturas”, afirmou.
Segundo Ferreira, a coordenação do Polo deve ficar com a governança do Agronegócio – Agro Valley. “Ela deve fazer o acompanhamento de todas as iniciativas”.
Coalização Soja 4.0
A ministra também assinou termo de compromisso que tem como objetivo iniciar as articulações para realização do projeto Coalização Soja 4.0, sob liderança da Embrapa Soja. Também assinaram o termo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Antonio Sampaio, o chefe-geral da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, o diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares, o gestor de governança do Polo de Inovação de Londrina, George Hiraiwa, e o secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Silveira Camargo.
O programa
De acordo com os argumentos do programa, os sistemas de produção agrícola em que a soja está inserida vêm passando por profundas modificações. Para fazer frente aos desafios, a Embrapa Soja mantém uma moderna infraestrutura de pesquisa, com mais de 37.000 m² de área construída, divididos em casas de vegetação, laboratórios, galpões de apoio ao campo experimental, auditório para treinamentos e prédios administrativos. Há também bases avançadas em diferentes regiões brasileiras, que atuam com ações para o manejo da cultura nos sistemas de produção regionalizados, na avaliação da base genética e na articulação de demandas técnicas de pesquisa e de transferência de tecnologia.
O diferencial competitivo do Brasil para incorporar a agricultura digital está na expertise tecnológica no campo agronômico, que tem grande potencial de combinação com novas tecnologias com a ciência agronômica tropical. Para isso, são necessárias alianças estratégicas com players tradicionais e não tradicionais da agricultura. Para acelerar esse processo e trazer novos atores para participar de forma consistente da transformação dos sistemas produtivos, a Embrapa Soja está adotando novas estratégias de inovação.
A partir de 2020, a empresa coloca em execução o Programa de Estímulo e Fortalecimento do Ecossistema de Inovação – Coalizão Soja 4.0. As ações estão organizadas em quatro verticais de impacto com objetivo de catalisar o desenvolvimento de soluções inovadoras para produção de soja tropical: diagnóstico setorial de demandas, organização do ecossistema de inovação com players de soja, editais de inovação aberta e uma área de campo de testes de plot 4.0.
O projeto está estruturado no conceito de missão orientada, que estabelece novos patamares tecnológicos e organiza diferentes atores para missões de impacto em temas estratégicos e avança a partir do potencial de transformação oferecido pelo processo da Manufatura Avançada, combinando modelos que favoreçam maior coordenação entre esforços de inovação e independência tecnológico no país. O programa irá envolver diretamente cooperativas, ematers, associações de produtores, empresas privadas de tecnologia, universidades, Sebrae, Senai, lideranças e startups na identificação de desafios orientados por missões para alcançar novos patamares tecnológicos.
Foto: Divulgação/SRP
