Por Ana Paula Barcellos
Ah, o naked dress! Aquela peça que faz todo mundo piscar duas vezes quando aparece no tapete vermelho, questionando se é moda ou vontade de “chamar atenção”. Levou anos, mas finalmente emplacou de vez nos eventos badalados e red carpets ao redor do mundo. Lembra daqueles vislumbres tímidos no comecinho dos anos 2000? Versões mais discretas, com transparências sutis e camadas estratégicas, como as usadas por celebridades em premiações da época.

Era o início de uma revolução, inspirada em ícones históricos como Marilyn Monroe em 1962, com seu vestido cravejado de strass que simulava nudez. Mas foi só pós-pandemia que a coisa explodiu de verdade. Com o mundo saindo do isolamento, as famosas abraçaram a liberdade corporal, transformando o sheer (transparente) em statement.


Pense no boom de 2021 em diante: o naked dress ressurgiu com força nos Oscar, Met Gala e VMAs, misturando malha transparente, rendas e cristais. No pós-pandemia, ele representou uma quebra de barreiras – um “eu sobrevivi e agora mostro tudo” fashion. Celebridades como Rihanna, com seu icônico Adam Selman sheer, ou Kendall Jenner, que elevou a trend a níveis virais, pavimentaram o caminho.

Em 2024 e 2025, a consolidação veio forte. No ano passado, Anitta usou em um evento. Margot Robbie brilhou no red carpet com um Gucci bordado e transparente no início deste mês, enquanto Dakota Johnson optou por um modelo Gucci floral todo em renda preta, revelando lingerie estratégica. Não para por aí: Tate McRae apareceu no MTV VMAs com um branco etéreo, Zara Larsson em tons pastéis com flores cristalinas, e até Olaplex Garthen em vermelho vibrante. Aqui no Brasil, a Glamour Brasil destacou essas apostas em posts recentes, chamando atenção para o retorno triunfal da transparência. É como se o naked dress tivesse saído do nicho provocativo para se tornar o novo preto básico das estrelas.
Quem segura um naked dress?
Mas e aí, será que essa trend pula do glamour hollywoodiano para as ruas e eventos do dia a dia? Tipo, quem segura um modelito desses no casamento da prima de Osasco? Por um lado, especialistas veem potencial: a moda está evoluindo para formas mais suaves, como blusas transparentes sobre sutiãs visíveis ou saias de malha sobre shorts ciclista, tornando o naked acessível para o cotidiano.
Marcas como Zara e H&M já oferecem versões high street, com preços amigáveis, sugerindo que o sheer pode virar staple em baladas, festivais ou até looks de trabalho ousados. No pós-pandemia, o foco em autoexpressão ajudou a impulsionar isso – pense em jovens influenciadoras adaptando o estilo para o streetwear, misturando com jaquetas oversized ou botas chunky para um vibe menos exposta.


Por outro, há barreiras. O naked dress carrega controvérsia: é visto como hipersexualizado por alguns, e nem todo mundo tem a confiança de uma celeb para sustentar. Em eventos cotidianos, como um casamento familiar, ele pode chocar mais do que encantar.
Climas variados, como o nosso calor brasileiro, até ajudam, mas olhares julgadores ou assediadores freiam a adoção massiva. Revistas como Elle questionam se o reinado do naked acaba mesmo tendo acabando de se firmar, por conta de dress codes mais rígidos em festivais como Cannes sinalizando um backlash. Nas redes, as opiniões se dividem: uns acham “tacky e over“, outros defendem como inovação ou libertação.
No fim das contas, o naked dress pode sim migrar para as ruas, mas em doses homeopáticas – menos “nu total” e mais “transparência estratégica”. Ele reflete uma era de liberdade, mas a moda é cíclica: o que hoje é red carpet amanhã pode ser vintage ou datado. Para quem arrisca, dica: comece com acessórios e camadas. Quem sabe no próximo churrasco familiar não rola um sheer sutil? Ousadia é o novo normal, mas equilíbrio é chave.
Foto principal: Instagram @anitta
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram @experienciasdecabide e @yopaulab
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