Por Marcelo Minka
Enquanto estamos ansiosos, na fase do “é melhor JA IR se preparando para a comemoração”, mais um bom filme de terror aterrissa na cidade. Desde o primeiro frame, Invocação do Mal 4: O Último Ritual convoca a plateia para testemunhar o capítulo final dos investigadores Ed e Lorraine Warren, interpretados respectivamente por Patrick Wilson e Vera Farmiga (Invocação do Mal – 2013).
Sob a direção de Michael Chaves (Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio – 2021), o filme busca encerrar com dignidade a saga, explorando o impacto humano do sobrenatural. A trama se ancora nos vínculos familiares: Judy, a filha do casal, interpretada por Mia Tomlinson (The Lost Pirate Kingdom – 2021), agora está adulta e prestes a se casar, enquanto é atormentada por visões. Ed está com a saúde fragilizada e Lorraine, dividida entre ceticismo e sensibilidade — uma mistura que prepara o terreno para a ameaça demoníaca derradeira.

Uma invocação mais refinada
Visualmente, Chaves entrega uma construção atmosférica mais refinada que em seus trabalhos anteriores, evitando sustos fáceis e CGI exagerado. Momentos como o hall de espelhos se destacam como os mais memoráveis, indicando sua evolução como diretor — o design de produção de John Frankish (Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo – 2018) confere ao terror um rigor estético que dialoga com a familiaridade do universo Warren.
Apesar do cuidado técnico, o drama familiar às vezes sufoca o terror. Somente nos últimos trinta minutos, quando o conflito atinge sua intensidade, o impacto realmente se faz sentir — ainda que com uma dose inicial de hesitação.
Na recepção crítica, Invocação do Mal 4 é percebido como uma despedida digna: embora distante do impacto visceral do primeiro capítulo ou da tensão demoníaca do segundo, entrega um final emocionalmente poroso e profundamente humano. Muitos críticos concordam que é o melhor trabalho de Chaves até agora, equilibrando melodrama familiar e suspense sobrenatural. No Rotten Tomatoes, o filme estreou com 62% de aprovação com base em 58 críticas, situando-se num patamar intermediário — acima de derivados anteriores, mas aquém dos primeiros sucessos.
Tal como um espelho antigo que reflete fragmentos do passado enquanto antevê o que se desvanecerá, este último capítulo da saga dos Warren nos lembra que o verdadeiro horror não está em aparições monstruosas — mas na memória daqueles que sobrevivem ao medo. Por isso, aguardemos a próxima sexta-feira, com esperança de que possamos abrir champanhes e vinhos e cervejas, e comemorar, para que o horror fique apenas na memória.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry
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