Por Ana Paula Barcellos
Hoje, a Câmara Municipal de Londrina amanhece com uma nuvem cinza, gigante e pesada em cima do teto! E esse peso horrível vem de mais um projeto-aberração de uma pseudo-vereadora, que propõe a internação compulsória de pessoas em situação de rua que sofrem com a dependência química. A ideia, apresentada como solução humanitária, na verdade é uma aberração política e social, um retrocesso que pisa nos princípios mais básicos de dignidade.
Imagine a cena: um ser humano, já vulnerável, arrancado de sua realidade pelas mãos de um sistema que, em vez de acolher, aprisiona. O projeto, que deve ser discutido e votado hoje (se não receber emendas), ignora a complexidade da dependência química, reduzindo-a a um problema de ordem pública.
A dita vereadora argumenta que a medida visa proteger essas pessoas e a sociedade, mas o que se vê é uma lógica punitiva travestida de cuidado. Internar à força, sem consentimento, viola a Lei Antimanicomial (10.216/2001) e a Lei 13.840/2019, que estabelecem que internações involuntárias só podem ocorrer com avaliação médica rigorosa e notificação às autoridades, nunca como política generalizada.
A nuvem cinza da hipocrisia
Enquanto o Brasil luta para estruturar redes de saúde mental e assistência social, este projeto vem tentar jogar fora décadas de avanços. Pessoas em situação de rua, muitas vezes marginalizadas por falhas estruturais — desemprego, falta de moradia, ausência de políticas públicas eficazes —, são tratadas como problemas a serem confinados, não como cidadãos com direitos.
A internação compulsória, em vez de oferecer tratamento, pode agravar traumas, perpetuando um ciclo de exclusão. Estudos apontam que taxas de recaída após tratamentos forçados são altíssimas, comprovando que, além de inconstitucional (nome de guerra da senhora autora do projeto), essa abordagem é ineficaz.
O debate em Londrina ecoa um discurso conservador que ganhou força em várias cidades. Projetos semelhantes, como os de São Paulo e Campo Grande, enfrentaram críticas de entidades como o Conselho Federal de Psicologia e o Ministério Público Federal, que alertam para violações constitucionais.
Aqui, a pseudo-vereadora que adora uma polêmica, parece apostar na popularidade fácil, alimentando o medo em vez de propor soluções reais, como abrigos dignos, acesso a tratamento voluntário e reinserção social. Proibir doações de alimentos em vias públicas, outra de suas iniciativas, só agrava o isolamento dessas pessoas.
Também hoje, a Câmara terá a chance de rejeitar essa proposta e optar por um caminho de humanidade. A internação compulsória não é cuidado; é controle. É o poder público se colocando como algoz dessas pessoas, ignorando que a dependência é um grito de socorro, não um crime. Londrina não pode se render a essa lógica autoritária.
Que os vereadores ouçam a voz da dignidade humana, não o eco de uma política que confunde punição com proteção. Que escolham a empatia, antes que a nuvem cinza da intolerância se instale de vez sobre aquele teto!
Foto principal: imagem gerada por IA/Grok

Ana Paula Barcellos
É graduada em História pela UEL, Mestre em Estudos Literários, integra coletivos culturais da cidade e é agente cultural. Sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências, e escreve também a coluna de Moda deste jornal. Siga o Instagram @yopaulab
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