Por Edmilson Palerno Soares
Já ouviu falar de Trás-Os-Montes, uma das regiões vinícolas de Portugal? Ela situa-se no nordeste remoto de Portugal continental, separada do litoral por um conjunto de serras onde sobressai o Marão.
Caracteriza-se pela altitude elevada, sendo condicionada por um clima continental rigoroso que apresenta verões longos e escaldantes, seguidos por invernos prolongados e gélidos. Os solos são graníticos, muito pobres e pouco produtivos, com algumas manchas de xisto. A região é também famosa pela qualidade das suas águas termais. Estas são referenciadas desde a época da romanização.
A região de Trás-os-Montes encontra-se subdividida em três sub-regiões dispostas ao longo dos vales dos rios que a atravessam:
- Chaves;
- Valpaços;
- Planalto Mirandês.

Existem referências que comprovam a produção de vinho durante a ocupação romana na região. Estes vinhos eram conhecidos pela sua grande qualidade.
A região sempre foi um berço da produção de vinhos, com vinhas centenárias e técnicas tradicionais, como a vinificação em lagares rupestres (antigas estruturas escavadas na rocha para produção vinho), que ainda são utilizados hoje.
No entanto, foi durante a Idade Média que a viticultura da região ganhou maior destaque.
Os monges cistercienses tiveram um papel importante no desenvolvimento da viticultura e na produção de vinho na região, principalmente na introdução de novas técnicas de cultivo, produção e comercialização do vinho.
No final do século XIX, a filoxera, uma praga que afetou as vinhas europeias, também atingiu Trás-os-Montes. Após a devastação da filoxera, houve um período de recuperação e reconstrução das vinhas. No entanto, a produção de vinho na região sofreu um declínio significativo ao longo do século XX, devido a fatores como o despovoamento rural, as dificuldades econômicas e a falta de investimento na indústria vinícola.

Ela só renasceu nas últimas décadas e começou a recuperar o seu prestígio vinícola. Produtores locais e enólogos passaram a investir na modernização destas vinhas antigas e a adotar novas técnicas mais adequadas e práticas de vinificação de qualidade. Isso trouxe um novo prestígio nos seus vinhos e resultou em melhoria significativa da qualidade dos vinhos produzidos. Isso resultou em vinhos cada vez mais reconhecidos e premiados internacionalmente.
As castas brancas dominantes são:
- Códega do Larinho;
- Fernão Pires;
- Gouveio;
- Malvasia Fina;
- Rabigato;
- Síria;
- Viosinho.
As tintas:
- Bastardo;
- Marufo;
- Tinta Roriz;
- Touriga Franca;
- Touriga Nacional;
- Trincadeira.
Os vinhos de Trás-os-Montes são conhecidos pela sua força, estrutura e notas frutadas, com os vinhos tintos sendo geralmente mais encorpados e os brancos apresentando aromas florais.
Desde 2006, a região de Trás-os-Montes possui a Denominação de Origem Controlada, o que garante a qualidade e autenticidade dos seus vinhos.
Além do DOC Trás-os-Montes, a região também possui a indicação geográfica (IG) “Trasmontano”. Esta denominação abrange uma área mais ampla que inclui outras sub-regiões de Trás-os-Montes.
Podemos citar alguns vinhos premiados desta região:
Terras de Mogadouro: Recebeu o Prémio Prestígio no Concurso de Vinhos de Trás-os-Montes, com o Terras de Mogadouro Reserva Tinto 2016, entre outros vinhos;
Quinta do Castelo Chaves: Também foi distinguido com o Prémio Prestígio do mesmo concurso, com o Quinta do Castelo Chaves Grande Reserva Branco 2021;
Segredo 6: Um vinho de Trás-os-Montes que alcançou o terceiro lugar no ranking dos melhores vinhos nacionais e foi distinguido por um júri internacional, marcando a primeira vez que um vinho da região alcança o segmento Premium.
Agora você conhece um pouco mais desses vinhos maravilhosos. Aproveite e abra um. Um brinde a
todos.
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin
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