Ahhh, o inverno! As reminiscências que traz…

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Por Ângela Diana

Está frio! Há “séculos”, o inverno era a época do ano que eu mais gostava e as lembranças mais duradouras era das xícaras de chá (eu não conhecia as maravilhosas canecas e não tomava café! Sim! Era outra “eu”😂), acordava cedinho, quase na hora que meu pai levantava, tipo umas 5 da manhã, sentava na janela do quarto e ficava vendo a luz do farol do aeroporto, desenhando fachos de luz na neblina. Isso até a hora de ir para o colégio.

Meu pai faleceu em 1986, uns dois ou três meses depois que eu comecei as aulas no ateliê da Letícia (Marquez)… Depois que ele faleceu, continuei acordando cedinho e comecei a ter insônia.

E nas insônias eu acordava para pintar! Por incrível que pareça, a pintura fluía mais no inverno e de madrugada…

Pintava no meu quarto (coisa que não aconselho para ninguém), colocava música e depois tomava banho umas 3 ou 4 da manhã.

Fotos: Acervo pessoal

Minha irmã e minha prima lembram disso até hoje, porque falavam que eu escutava músicas “esquisitas”kkk! Eram o bom e velho Rock and rRoll, mais lançamentos como Ramones, The Cult, New Order, Jesus and Mary Chain e, claro, Legião Urbana.

Era o começo entusiasmado que todo artista passa!

Eram meias grossas e tênis nos pés, roupa velha e quente, música e chá mate!

Minha fuga, meu mundo quentinho em pleno inverno dos anos 80!

Anos 1980 com festival de teatro, festival de música, festival de dança, exposições de artes… Ah, Londrina! Neblina de madrugada, barulho dos barzinhos no Calçadão e Higienópolis, céu azul de dia, cheiro do amendoim com chocolate no calçadão e cachorro quente!

O inverno é uma época que me traz ótimas reminiscências, onde Londrina tinha um agito cultural enorme e eu não sentia tanto frio

Gente interessante e diferente…. Era uma expectativa de um futuro promissor como artista, mesmo não entrando em nenhum “salão de arte”…

No início dos anos 1990, tudo mudou…voltei de Sampa, já viciada em café quentinho e panetone com manteiga,  voltando para casa, cheia de ideias, mas ainda atarantada com tantas mudanças…. Nunca deixei de pintar. Mas tenho poucas obras dessa época.

Foram os anos dos ateliers e só trabalhava no intervalo das aulas (eu e Mira , dávamos aulas de manhã até a noite). Foi a época mais prolífica até hoje… Londrina ainda respirava cultura e o inverno era muito mais gelado na Rua Souza Naves! Aliás, para quem não sabe, a chuva faz curva na Souza Naves!

Época da cafeteira ligada até a noite no atelier, alunos, amigos e amigas, projetos, música, cada aluno e aluna traziam sua fita K7 e me davam de presente! Ou alguém trazia um chá importado (tinha um de pêssego que era maravilhoso)! 

Época também que eu entrava no último ônibus, esperava sozinha no ponto de ônibus da Souza Naves, encapotada! Não tinha medo de andar à noite… chegava em casa exausta, mas era uma época que tudo fluía… Ao menos o trabalho!

E o inverno agora?

Com 56 anos, calejada, ainda consigo ver uma beleza poética nele. Da minha casa, vislumbro melhor a luz do farol do aeroporto, vejo os aviões da janela, a lua cheia, o sino dos ventos na varanda…

Não levanto mais de madrugada para pintar… prefiro trabalhar de dia, simplesmente sou outra “eu”… Os ossos do corpo doem com o frio e sinceramente me apaixonei pelo verão a alguns invernos atrás! Ainda trabalho na  minha maior paixão: a pintura, mas faço crochê de “artista”, voltei a desenhar com lápis de cor, e até isso mudou de nuance! Antes eram preto, vermelho, cinza, azuis e roxos… Hoje quem manda é o amarelo, laranja, cor de vinho, azul turquesa nas obras!

Tudo muito mais colorido… vontade de irmos morar numa praia, com sol e cheiro do mar. Seria interessante ver com que cores eu pintaria!

Ou ter uma lareira em casa… Pintar num atelier com uma lareira, ou aquecedor  como se estivesse em Londres, deve ser bem chique 😂….Delírios de uma artista com frio e grandes sonhos ainda!

Hoje escrevo a coluna debaixo das cobertas! Primeira tarefa do dia! Depois um chocolate quente com café e a mesa de desenho me espera! Ou será mais um manto de crochê? Hummm, fazer crochê com lã, parece uma pedida melhor!

De qualquer forma, trabalho!

E você? Qual sua reminiscência mais poética com Londrina? E cultural também? Fala aqui para mim!! 

Bom final de semana pra todas, todes e todos ❤️

Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Instagram angela_dianarte

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