Por Telma Elorza
“Tenho 49 anos e fiquei viúva há cinco anos, mas já fazia uns dois que meu marido estava incapacitado numa cama. Estou há esse tempo todo sem transar e só sentia vontade nos primeiros meses, depois que ele ficou doente, mas agora não mais. Porém, conversando com amigas, elas me disseram que nosso corpo precisa de sexo, que posso ficar mal por não ter relações. É verdade?”
Olha, mulher… primeiro, deixa eu lhe dar um abraço apertado, mesmo que virtual. Cuidar de um marido doente por anos, passar pelo luto e ainda aguentar palpites alheios sobre sua vida íntima? Não é pouca coisa, não. Mas agora, vamos falar do que interessa: SEXO.
Você tem 49 anos, minha filha. Quarenta e nove! Está viva, está inteira. E vou te dizer uma coisa que talvez ninguém tenha falado com todas as letras: você ainda TEM MUITO FOGO PRA QUEIMAR. Só precisa acender o fósforo.
É normal que, depois de tudo o que você passou, o desejo tenha tirado umas férias. Você foi esposa, cuidadora, enfermeira, guerreira… passou por um baita período puxado, pesado mesmo. E nessas horas, o tesão vai pra Nárnia. O corpo até esquece que tem clitóris, né? Normal. A cabeça tá ocupada demais lidando com dor, cansaço, saudade, sobrevivência. Isso suga mesmo a libido de qualquer uma. Mas agora que as coisas estão mais calmas, é natural que essa curiosidade reapareça. Mesmo que ainda seja uma fagulhinha, vale a pena prestar atenção nela.
Sobre o que suas amigas disseram: o corpo PRECISA de sexo? É o seguinte: você não vai desintegrar se não transar. Mas também não vai atingir o auge da sua potência se continuar ignorando essa parte da sua vida. Sexo não é só safadeza — embora safadeza seja maravilhoso — é sobre prazer, saúde, alegria, autoestima. É sobre lembrar que você é mais do que viúva, amiga — você é mulher, com M maiúsculo e útero pulsando. Sexo libera endorfina, melhora o humor, ajuda na autoestima e sim, até dá uma revigorada na pele. Mas a questão aqui não é fazer por obrigação, e sim por PRAZER.
E aqui vai a parte que talvez você nem esperasse: você não precisa sair correndo atrás de homem nenhum (a não ser que queira, claro). Tem um mundo de possibilidades aí. E eu vou falar a palavra que muita mulher ouve e ainda fica meio sem jeito: vibrador.
Sim, meu bem. O vibrador é seu melhor amigo nessa fase de reencontro com o próprio corpo. Nada de vergonha! É só você, com você mesma, no controle total. Sem pressão, sem julgamento. Pode ser discreto, bonito, tem modelos que parecem batom, outros que parecem arte moderna. Hoje em dia, o que não falta é opção! Tem vibrador que esquenta, que pulsa, que lambe, que faz até cafuné (mentira, mas quase!).
Você vai lá, se tranca no quarto, coloca uma música que a faz se sentir gostosa (vale até Marília Mendonça sofrendo, se quiser), pega um vinhozinho ou um chocolate, e se toca. Sem pressa, sem culpa, sem roteiro. Descobre onde ainda dá choque, onde arrepia, onde faz a perna tremer. Vai devagar e depois mete o turbo. Porque sim, você pode gozar sozinha e ainda dormir com um sorriso na cara.
E não me venha com essa de “ai, mas será que eu ainda sei?”. Amor, prazer não se esquece. Pode até ficar empoeirado, mas quando o corpo lembra… VIXE! Ele lembra com gosto.
A verdade é que esse seu desejo não morreu — ele só tava em modo avião. E quem desativa esse modo é você. Começando sozinha, sem vergonha. Depois, se quiser, você vai lá e compartilha esse fogaréu com quem merecer.
Sem transar, sem prazer? Jamais
A grande questão aqui é: você merece ter PRAZER. Ponto. Não importa se faz cinco anos, dez ou 20 que não transa. Seu corpo continua aí, esperando ser tocado, explorado, amado. E quem disse que esse amor não pode começar por você mesma?
E outra coisa: a masturbação não é só sobre gozar, é sobre se reconectar. Descobrir o que lhe dá tesão agora, o que mudou, o que continua igual. E aí, quem sabe, isso não desperta a vontade de dividir esse prazer com outra pessoa? Pode ser, pode não ser. Mas o primeiro passo é SE PERMITIR.
Você não é velha, não está “fora do mercado”, e com certeza não perdeu o jeito. Só deu uma pausa. E tudo bem. Mas se tem uma faísca acendendo aí dentro, faz um favor para você mesma: sopre. Alimente. Dê espaço para esse fogo crescer. Não é egoísmo, não é errado. É autocuidado.
Você não é uma ex-mulher. Você é uma mulher. Ponto. Com vontade, curvas, gozo, gemido, gemidão se quiser. Reinvente-se! Coloque seu nome na lista de prioridades de novo. Se dê flores, se dê orgasmos, se dê permissão.
Então se joga, sem medo, sem frescura. Você tem tesão, tem pele, tem direito. E, se quiser, tem também um vibrador novinho esperando pra estrear. Porque gata, aos 49… a vida sexual não acaba. Ela só começa de outro jeito: mais livre, mais sua, e muito mais gostosa.
Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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