Oppenheimer: um autêntico, mas diferente, Christopher Nolan

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Por Marcelo Minka

Não foi Tom Cruise e seu Missão Impossível que salvou o cinema mundial. Também não foi Indiana Jones com seu chapéu e chicote. Foi o fenômeno barbenheimer: dois filmes com narrativa e estética completamente diferentes foram lançados no mesmo dia no mundo todo, Barbie (crítica da semana passada na coluna) e Oppenheimer, o novo filme do bem sucedido diretor Christopher Nolan (Interestelar – 2014).

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A produção de Barbie investiu pesadíssimo no marketing, não só no café com leite; trailers, grandes nomes da música internacional, turnê com os atores. Mas também inovou: Fan Service, Co-branding, Marketing de relacionamento e muito mais. O resultado são salas de cinema lotadíssimas com a maioria dos espectadores vestindo roupas cor de rosa.

E a produção de Oppenheimer, inteligentemente, pegou carona. Isto gerou um fenômeno na internet onde se unem o nome dos dois filmes: barbenheimer.

Após uma semana de seu lançamento, Barbie já arrecadou meio bilhão de dólares, enquanto o filme de Nolan contabilizou mais de 100 milhões de dólares. E isso é excelente. Oppenheimer é um filme sem efeitos especiais e com muito, mas muito mesmo, diálogos. Aliás, excelentes diálogos. Nolan volta novamente aos temas de tempo e espaço e multidimensões, mas através de um thriller biográfico nu e cru sobre o físico teórico J. Robert Oppenheimer. O filme se desenrola em uma narrativa temporal muito simples, incomum para o diretor, mas mesmo assim não é fácil. Sem contar também que são três horas de trama, mas a gente nem nota o tempo passar.

Oppenheimer não é um drama histórico

Cillian Murphy (Peaky Blinders – 2013 a 2022) interpreta o polêmico Oppenheimer de maneira impecável. Na trama, o físico ‘pai da bomba atômica’ se torna diretor do programa norte-americano para o desenvolvimento das bombas nucleares para acabar com a hegemonia alemã na segunda guerra mundial. Porém, a Alemanha se rende e força o Estados Unidos a usar o Japão como alvo.
Completando o elenco estelar temos Emily Blunt (Um Lugar Silencioso – 2020) e o ‘Homem de Ferro’ Robert Downey Jr. Aliás, numa interpretação digna de Oscar, mudando completamente minha opinião sobre seu talento.

Oppenheimer não é um drama histórico no sentido mais puro do termo, e nem um filme somente sobre bombas, antes de tudo é um estudo de personagem. Nolan abre mão de efeitos especiais e cenas de ação de tirar o fôlego, priorizando diálogos extensos enquanto questiona a moralidade dos senhores generais.

O filme não foi feito para ser um blockbuster, apesar de quase conseguir tal façanha graças ao fenômeno barbenheimer. Denso, longo e sem preocupação de entreter, aborda questões profundas de maneira objetiva, como na física. Para quem gosta de cinema-arte e excelentes interpretações.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas. Me siga no Instagram: @marcelo_minka e @m_minka_jewelry

Foto: Divulgação

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