Você já deve ter visto alguma situação como esta nas rede sociais: uma criança tem um perfil com milhares de seguidores, faz Reels, publicidade nos posts e nos stories, se veste como adulto e faz coisas que até você faz. É praticamente um influenciador digital mirim. Usa batom, faz maquiagem, coloca salto alto. Já está até fazendo poses para as fotos como vemos no feed de muitas influenciadoras.
Essa é a chamada adultização infantil, ou seja, quando a criança é estimulada a se comportar como um adulto e, consequentemente, levada a um amadurecimento precoce. No entanto, esse fenômeno traz sérios prejuízos ao desenvolvimento da criança. Vejamos o porquê.
Nesta fase da vida, a criança não tem maturidade para filtrar informações recebidas e entender o que está acontecendo, de fato. Isso prejudica a formação da personalidade, que deve ser algo construído de forma gradativa e natural. Sem brinquedos e acesso ao lúdico, o desenvolvimento da criança é interrompido.
O que uma criança precisa é brincar, e não assumir responsabilidades de um adulto. É através dessa atividade que a imaginação dela será coloca em ação, bem como a criatividade e a construção de relacionamentos. A adultização afeta os processos cognitivos, de linguagem e habilidades motoras.
No futuro, isso pode se refletir em problemas psicológicos, como estresse, transtornos de ansiedade, depressão, traumas, dificuldade em se relacionar com as pessoas e baixa autoestima. Outro grande perigo é a erotização precoce.
Os pais devem ficar atentos à maneira como estão lidando com os filhos para perceber se não estão estimulando-os à adultização precoce. Lembre-se que seu filho é um indivíduo único e que é preciso respeitar cada etapa de desenvolvimento.
Alessandra Diehl

Psiquiatra, educadora sexual, especialista em sexualidade humana e em dependência química. Vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Sobre o Álcool e Outras Drogas
Foto: Kampus Production no Pexels


