Por Telma Elorza
“O que será que acontece no nosso corpo quando temos um orgasmo?”
Essa pergunta foi feita pessoalmente, por um amigo querido. Estávamos matando as saudades, depois de alguns anos sem nos ver pessoalmente, bebendo uma cervejinha e conversando sobre várias coisas aleatórias. Ele é um leitor da coluna e me diz sempre que gosta muito do meu jeito “didático” de falar sobre sexo. Até que me solta essa pergunta. Mas ele queria detalhes científicos que eu não soube responder na hora. Aí, prometi que iria pesquisar e escrever uma coluna sobre isso.
Lógico que me debrucei sobre pesquisas internacionais (obrigada, ChatGpt, por me orientar onde pesquisar nessa imensidão de informações da internet kkkk). Então vamos lá, vou tentar explicar de uma forma bem simples, ok?
O orgasmo é o ponto máximo da resposta sexual e nem sempre acontece da mesma maneira. Pode ser, numa hora, intenso e, em outra, delicado; rápido ou demorado (uhuu, beleza). Você nunca vai gozar igualzinho todas as vezes, sempre terá algo diferente.
Mas, independentemente disso, o orgasmo não se limita a sensações em nossos órgãos sexuais. Ele é uma espécie de revolução generalizada que acontece em todo o corpo. Em poucos segundos, cérebro, coração, músculos, nervos e hormônios entram em um balé bem ensaiado e o corpo todo participa da festa.
Mas sabe qual o principal órgão responsável por todas aquelas sensações maravilhosas (não, se você pensou em clitóris ou pênis, errou feio, meu querido). É o cérebro. Sim, como eu sempre digo: o cérebro é nosso maior órgão sexual.
Antes do corpo começar a experimentar o orgasmo, o cérebro já está trabalhando firme e forte. Estímulos físicos, pensamentos, fantasias e emoções ativam diferentes regiões cerebrais envolvidas no prazer, na motivação e nas sensações corporais. A dopamina, neurotransmissor associado à recompensa e à motivação, participa ativamente desse processo.
Durante a excitação sexual, aumenta o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais. Na mulher, ocorre a lubrificação vaginal, além de alterações na sensibilidade do clitóris (ele, inclusive, aumenta) e outras regiões no corpo, como seios. No homem, o pênis fica ereto e sensível. Em ambos, a respiração fica mais acelerada, os batimentos cardíacos aumentam e a pressão arterial pode subir temporariamente.
Quando o orgasmo é alcançado, o corpo todo tem um pico de atividade. Ocorrem contrações rítmicas e involuntárias dos músculos do assoalho pélvico e das estruturas relacionadas aos genitais. Na mulher, essas contrações podem ocorrer na vagina, ânus e no útero. No homem, todos os músculos e estruturas os que participam do processo de ejaculação (só lembrando que orgasmo e ejaculação não são a mesma coisa. É possível ter orgasmo sem ejacular).
Enquanto isso, o cérebro continua trabalhando a todo vapor, sem descansar um segundinho. Estudos com neuroimagens mostram mudanças na atividade de várias regiões cerebrais durante o orgasmo, com a participação de circuitos nas áreas de prazer, emoções e sensações. E ocorre a liberação de substâncias como a oxitocina e as endorfinas, associadas – entre outras coisas – à sensação de bem-estar e ao alívio da dor.
É por isso que quase todo mundo relaxa depois de um bom orgasmo. Boa parte dos homens fica sonolenta, outras pessoas riem, algumas querem carinho ou simplesmente ficar em silêncio.
Tudo isso é reação do próprio cérebro para “normalizar” tudo depois de tanta atividade. Após o orgasmo, o cérebro libera neurotransmissores e hormônios como prolactina e serotonina que sinalizam o fim da resposta sexual aguda, o que induz o estado de repouso. Tudo que “subiu” tende a descer, kkk. E não só o pênis, mas a frequência cardíaca, a respiração e a tensão muscular também.
Essa resposta é maior nos homens. Eles passam por um período refratário, no qual fica quase impossível conseguir uma nova ereção ou atingir um novo orgasmo, num intervalo que pode durar de minutos a horas. Nós, mulheres, somos privilegiadas porque esse período refratário é pequeno ou quase inexistente. A maioria está “pronta para outra”, em questão de poucos minutos ou até segundos. Nós, sortudas, podemos ter vários orgasmos em sequência, sem sequer desmanchar o cabelo (exagero, claro, kkk).
Bom, eu resumi tudo de uma forma simplificada, mas acho que deu para entender como o orgasmo é poderoso para nosso corpo, né? Além de todas as sensações deliciosas, orgasmos também fazem bem para a pele, para a melhoria do humor e, ainda, para a saúde geral do corpo.
Então, vamos gozar, né?
PS – Para quem quiser ler os estudos em que me baseei (com uma pesquisa no ChatGpt), são esses:
- Cleveland Clinic – What is an Orgasm? – explicações sobre as alterações físicas e hormonais.
- National Library of Medicine (NCBI) – Autonomic Regulation of Sexual Function – estudo sobre os mecanismos neurológicos e musculares da resposta sexual.
- Fertility and Sterility – Normal male sexual function: emphasis on orgasm and ejaculation – pesquisa que diferencia orgasmo e ejaculação.
- Planned Parenthood – Orgasms – informações sobre diversidade das experiências orgásticas.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?
Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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