Por Telma Elorza
“Sou uma mãe desesperada. Descobri que minha filha de 13 anos está transando com o namorado de 14. Não sei o que fazer porque desconfio que está grávida. Prendi ela em casa e proibi de vê-lo. Mas o que faço agora? Posso pedir aborto legal, por ser menor?”
Ai, amiga. Calma, respira. Eu sei que seu coração deve estar saindo pela boca e sua cabeça está a mil, com medo, raiva, culpa, vergonha, tudo junto e misturado. Mas antes de qualquer coisa, o primeiro passo é entender que, por mais difícil que seja, sua filha precisa de você, mais do que nunca. gritar, trancar, punir e proibir só vai fazer vocês duas se afastarem. E o que ela precisa, nesse momento, é acolhimento e orientação. Então, vamos por partes.
Primeiro de tudo: uma menina de 13 anos e um garoto de 14 anos já tendo relações sexuais estão agindo sem maturidade suficiente para lidar com as consequências, mesmo que se imaginem muito adultos. E isso não é moralismo, quem acompanha a coluna sabe que não faço isso. É apenas um fato. O cérebro, nessa idade, ainda está em desenvolvimento, principalmente nas áreas ligadas à responsabilidade e à tomada de decisões. Eles não têm estrutura emocional nem cognitiva para arcar com uma possível gravidez e até infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), que são riscos reais.
Por isso que bato na tecla incensantemente que educação sexual é essencial para crianças e adolescentes. E não, educação sexual não é “ensinar a fazer sexo”. É ensinar a conhecer e respeitar o próprio corpo, a dizer não, a entender o que é consentimento e a se proteger. Quando a escola e a família se calam sobre isso, a internet e os amigos ocupam esse espaço e, infelizmente, não são fontes seguras para adolescentes curiosos sobre o próprio corpo.
O Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) defendem que a educação sexual deve começar cedo, de forma adequada a cada idade, para que os jovens façam escolhas mais seguras e conscientes. Só com informações completas e verídicas, eles podem ter mais discernimento do que acontece com o corpo e analisar como agir.
A suspeita da gravidez da filha
Agora, sobre a parte mais delicada: a suspeita de gravidez da filha. Calma. Não dá para resolver isso no grito nem no desespero. Leve sua filha a uma unidade básica de saúde, o quanto antes, para confirmar com um teste de sangue se realmente há uma gravidez. Se estiver, os profissionais do SUS vão orientar sobre pré-natal e sobre todos os direitos da gestante adolescente. Inclusive sobre acompanhamento psicológico, que é fundamental.
Sobre aborto legal, a resposta é que não pode pedir só por ser menor. No Brasil, o aborto legal só é permitido em três situações, de acordo com o artigo 128 do Código Penal e confirmado pelo Ministério da Saúde:
- Quando a gravidez é resultado de estupro;
- Quando há risco de vida para a gestante;
- Quando o feto é anencéfalo (sem cérebro).
No caso da sua filha, se a relação foi consentida e não houve violência, não se enquadra no caso de estupro. Mesmo sendo menor, isso não muda a lei. Só se ficar comprovado que ela foi coagida, ameaçada ou abusada, o que caracterizaria estupro de vulnerável. Mas acho que não é o caso, né? Não invente um estupro onde não houve, ok?
Independentemente da questão jurídica, agora é hora de agir com amor, não com punição. Prendê-la em casa e cortar o contato da sua filha com o namorado não vai apagar o que aconteceu, só vai gerar revolta e afastamento. O ideal agora é mostrar a ela que a vida tem consequências, mas que ela não está sozinha e que você vai ajudar.
Converse, escute sem interromper e, se for o caso, procure ajuda de um psicólogo ou assistente social do posto de saúde. O Conselho Tutelar também pode orientar sobre direitos e apoio emocional. A rede pública tem profissionais capacitados para lidar com adolescentes em situações assim e, acredite, quanto antes buscar ajuda, mais fácil será reconstruir a confiança entre vocês. E se ela não estiver grávida, eles também poderão orientá-la sobre métodos anticonceptivos, ok? Proteção sempre, porque você não conseguir impedir sua filha de transar, agora que ela já provou.
O medo que você sente é natural. É o medo de ver sua filha perder a infância, se machucar, sofrer Mas o caminho não é o controle total, é o diálogo. A adolescência é a fase em que os filhos mais testam limites e é justamente quando mais precisam sentir que o amor dos pais é maior do que os erros que cometem.
Então, amiga, antes de trancar as porta, abra o coração com sua filha. Ela ainda é uma crianças crescendo rápido demais e o que ela precisa é de uma mãe firme e amorosa, que segure sua mão. O que está feito não dá para desfazer, mas dá para transformar em aprendizado e em um novo começo, juntas.
Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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