Fetiche é doença. Será mesmo?

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Sua coluna acabou aparecendo, por acaso, para mim e fiquei horrorizado com o que li. Achei que não era possível ser tão baixa e fui ler outras. Você é doente, seus leitores são doentes. Esses fetiches são coisas de malucos. Vão se tratar. Gente normal não faz nada disso. Relações sexuais normais são suficiente para uma vida boa e saudável.”

Recebi esse doce de mensagem (cortei fora os palavrões e outras delicadezas, porque, né, ninguém é obrigado) por um e-mail fake (lógico, o cara é corajoso para agredir e nem tanto para mostrar a cara). Resolvi publicar, na última coluna do ano já que vamos entrar em férias dia 19, para esclarecer uma coisa: fetiches são normais, sim. Quem não tem fetiche, não tem imaginação.

Como o Google não mostra minhas colunas espontaneamente, eu só posso imaginar como esse senhor (pra não dizer outra coisa), chegou até aqui. Deve ter pesquisado alguns termos usados nas colunas, como a maioria dos leitores faz. E se pesquisou é porque se interessa pelo assunto. Ele não disse a que coluna que o deixou horrorizado, mas imagino que foi daquelas bem pesadas. Teve inúmeras desse tipo, kkkk.

O indignado confessa que leu outras. E o que isso diz? Sim, ele se interessa pelo assunto. Só que reprime. Coitado. Deve ser uma daquelas pessoas castradas pelos ensinamentos religiosos que apontam que sexo é pecado e só deve ser utilizado para procriação. Ou seja, um infeliz, preocupado com dogmas criados pelos homens para controlar os fiéis com a promessa de danação do fogo do inferno. Enfim.

Mas, como já disse ali em cima, fetiches são completamente normais e saudáveis. Hoje, só são considerados parafilias (transtornos psiquiátricos) quando envolvem preferências ou obsessão por práticas sexuais que envolvem estupro, pedofilia, zoofilia e um grau elevado de exibicionismo – aqueles que os caras (a maioria é formada por homens) exibem seus genitais para mulheres ou crianças. Ou seja, todas a práticas que envolvem terceiros que não autorizaram ou não tem capacidade para fazê-lo. Mais que distúrbios, são crimes e devem ser punidos rigorosamente.

Até o sadomasoquismo, que envolve dominação, dor e humilhação entre parceiros sexuais, não é considerado “anormal” se a relação for consensual. Ou seja, se um sádico se relaciona com um masoquista e ambos são felizes assim, quem há de julgar? O que se faz dentro de quatro paredes só interessa aos envolvidos.

Sexo é uma coisa natural, biológica, faz bem ao corpo e à mente. Aliás, é fundamental para a saúde mental. Por que, então, não dar vazão às fantasias, tornar as coisas mais quentes? Quem aguenta apenas o “papai e mamãe” ao longo dos anos? Eu sinceramente acredito que os fetiches trazem benefícios para os casais que os praticam consensualmente, porque criam vínculos fortes entre eles.

Até o indignadinho que mandou o e-mail nos chamando de doentes deve ter suas fantasias. Ou não teria lido a coluna com tanto interesse que precisou se manifestar. No fundo, os haters são pessoas frustradas, que não suportam a liberdade – seja ela sexual ou não – nos outros. Esses sim é quem deveriam se tratar. É isso.

Um Feliz Natal e um bom Ano Novo para todos meus leitores. Ano que vem tem mais colunas.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande suas perguntas para o e-mail telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse