Por Telma Elorza
Depois da coluna da semana passada, resolvi fazer também a lista com as 10 dúvidas femininas mais frequentes que recebo no meu e-mail. E, olha, foi difícil listar essas 10 por frequência porque as mulheres ainda têm muito tabus de falar de sexo. Nesse ponto, os homens são mais curiosos, embora as preocupações deles têm mais a ver com o próprio desempenho do que em relação a qualquer outra coisa. No caso das mulheres, desempenho sexual é a última coisa que passa pelas cabeças delas.
E isso tem muito a ver com a falta de abertura para falar de sexo com a família e até amigas já que qualquer coisa que envolva sexualidade feminina (principalmente) é reprimida. Lembro de uma conversa que tive com uma advogada famosa, uma vez, em que ela disse que me admirava por falar de sexo abertamente, e naturalmente, num jornal. Porque, na experiência dela, toda vez que surgia conversas sobre sexo entre ela e as amigas, recebia um monte de críticas, como se ela fosse “despudorada” ou “sem-vergonha”. “Elas me acham louca por ver sexo como uma coisa normal, do dia a dia”, afirmou.
E vou dizer, isso é a pior bobagem que já ouvi, porque SEXO É NORMAL. Tem toda uma função biológica para o bom funcionamento do corpo humano e traz muitos benefícios para as saúdes física e mental feminina. E mulheres reprimindo outras mulheres, principalmente reprimindo aquelas que buscam informações, me dá raiva. É preciso parar com isso e urgentemente. Inclusive, sugiro para as mães que falem abertamente sobre sexo com seus filhos e, principalmente, filhas adolescentes. Numa era onde a informação de qualidade pode estar a um clique, não é possível que que o assunto seja deixado de lado, para ser “suprido” por fake news ou informações deturpadas.
Mas chega de discurso.
E vamos às 10 dúvidas femininas mais frequentes no sexo:
““É normal sentir dor durante o sexo?”
Muitas mulheres me perguntam se a dor na penetração é “normal”. E respondo: não. Não é normal sentir dor. Isso pode indicar problemas como ressecamento vaginal, infecções, alergias a produtos de higiene, ou condições como Vaginismo que podem causar dor — e isso merece atenção médica.
“Por que às vezes não sinto desejo?”
A falta de desejo sexual (às vezes pontual, às vezes persistente) é uma inquietação comum que as mulheres me mandam. Fatores físicos, hormonais, emocionais, estresse e até o cotidiano influenciam o libido feminino. E é preciso investigar melhor para ver se isso é consequência de uma “sobrecarga” que a mulher está passando (trabalho, casa, filhos, doenças na família sobrecarregam qualquer pessoa e pode fazer o desejo sumir) ou se é físico (menopausa, por exemplo). Nesse caso, é aconselhável marcar uma consulta com um ginecologista para investigar a causa.
“Como funciona o orgasmo feminino? Por que às vezes não consigo gozar?”
O orgasmo feminino é uma resposta física e emocional que surge quando o corpo chega a um nível alto de excitação, com aumento do fluxo sanguíneo na região genital, contrações rítmicas da musculatura pélvica e liberação de hormônios como oxitocina e dopamina (descritos por entidades como a OMS). Ele não acontece “automaticamente”: precisa de estímulo adequado, tempo e relaxamento.
Muitas mulheres não gozam porque estão tensas, ansiosas, distraídas, tem baixa autoestima ou tem medo de “performar”. A falta de comunicação e entrosamento sexual com o parceiro também pesa, assim como pouca estimulação do clitóris — que é responsável por a maior parte dos orgasmos femininos. Cansaço, uso de certos remédios, baixa libido ou dor também podem atrapalhar.
O que pode ajudar: conversar com o parceiro (ele pode melhorar as preliminares, por exemplo), conhecer o próprio corpo (masturbação é essencial para isso) e até conversar com um sexólogo.
“Existe mesmo o Ponto G? Onde fica?”
Essa é uma das dúvidas que mais recebo. Então vamos lá. Há controvérsias na comunidade científica sobre a existência real de um “botão do prazer” universalmente presente. Para algumas mulheres, a estimulação de uma região interna do canal vaginal dá prazer; para outras, o prazer vem pela estimulação externa, diretamente no clitóris.
Mas, na verdade, o clitóris é um órgão enorme, com cerca de 8 a 10 cm, e o “botãozinho” visível é só a pontinha externa. Ele tem raízes internas que abraçam a vagina e se enchem de sangue quando a mulher se excita. Com mais de 8 mil terminações nervosas que se espalham internamente, ele se conecta às paredes vaginais e, por isso, alguns cientistas acreditam que o Ponto G é apenas um ponto onde está bem “conectado” ao canal vaginal. A pressão do pênis nessa parte faz com algumas mulheres sintam os chamados orgasmos “vaginais”, que não deixa de ser clitoriano.
“A lubrificação e o ressecamento vaginal: quando é normal e quando pode ser problema?”
O ressecamento vaginal pode aparecer por diversos motivos — variações hormonais, medicamentos, estresse, idade, amamentação etc. Muitas mulheres confundem ressecamento com “falta de desejo” ou acreditam que é algo exclusivamente de quem está na menopausa. Na real, pode ocorrer em várias fases da vida. Nada que um bom lubrificante à base de água não resolva.
“Sexo na menstruação é possível?”
Ainda existe tabu e dúvida sobre a permissibilidade e segurança do sexo durante a menstruação. Muitas mulheres se perguntam se isso faz mal ou se é “sujo”. A resposta médica geralmente é: não há contraindicação para quem se sinta à vontade — desde que cuidados de higiene sejam tomados.
“Existe uma frequência ‘normal’ para o sexo?”
Mulheres — e casais — frequentemente me qpergunta qual a frequência é “normal”, comparando com tabus, mitos sociais ou expectativas alimentadas por pornografia. A resposta dos especialistas costuma ser: “normal” varia muito de pessoa pra pessoa e casal. Tudo vai depender do momento em que o casal está, inclusive no trabalho (cansaço acaba com o tesão); se estabeleceram uma rotina sexual (sim, rotina sexual pode ser bem interessante para fortalecer a relação); se a saúde influencia; o tempo de relacionamento; enfim uma série de fatores que podem influenciar.
Uma referência do Kinsey Institute aponta que, entre pessoas casadas, 34% fazem sexo 2 a 3 vezes por semana, 45% algumas vezes por mês e 13% apenas algumas vezes por ano. Outro estudo, com mais de 2 mil casais (idades entre 20-39), no German Family Panel, revelou que a maioria — cerca de 86% — tem relação sexual com frequência aproximada de “quase uma vez por semana”, e ambos parceiros relatam alto grau de satisfação. Enfim, tudo é relativo.
“O que é ‘normal’ em fantasias sexuais?”
Essa é uma dúvida frequente também. E eu sempre respondo: tudo é “normal” se feito consensualmente. Ou seja, se os dois quiserem realmente. Fazer só para agradar um dos parceiros é o “anormal”. Mas se os dois estão empenhados na prática e têm prazer com isso, beleza. Nada, entre quatro paredes (e até fora delas) deve ser considerado estranho, nojento ou feio (desde que, como disse, seja consensual).
Menopausa ‘mata’ a vida sexual?
Não, menopausa não “mata” a vida sexual, mas pode bagunçar bastante, e isso é normal. A queda dos hormônios pode causar secura vaginal, dor na relação, queda de libido e alterações de humor. Porém, tudo isso tem tratamento, segundo os especialistas. Terapia hormonal, lubrificantes, hidratantes vaginais, reposição local de estrogênio e até fisioterapia pélvica ajudam muito (desde que seja indicado por médicos). Muitas mulheres relatam voltar a ter uma vida sexual ótima quando ajustam tratamento, autocuidado e comunicação com o parceiro.
Ou seja: menopausa não acaba com o prazer. Só exige manutenção, igual carro que precisa de revisão.
Posso dizer “não” a meu marido?
Claro que pode. E deve, se algo a incomoda. Ninguém deve nada sexualmente a ninguém dentro de um relacionamento, nem em casamento, namoro, convivência… nada. Consentimento não é um “sim eterno”. Ele deve ser renovado a cada vez. Se uma proposta a deixa desconfortável, estranha ou simplesmente não é o que você quer, dizer “não” é tão legítimo quanto respirar. E um parceiro que a ama precisa ouvir isso sem drama, chantagem emocional ou culpa. Sexo bom só existe quando os dois estão afim. O resto é pressão, não intimidade.
Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br
Quem é Tia Telma?

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.
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