Por professor Renato Munhoz
No artigo anterior, exploramos o que são as Conferências das Partes (COPs) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e revisamos decisões históricas que moldaram o combate às alterações climáticas, como o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris. Agora, com a COP30 acontecendo – de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, no Pará –, é hora de mergulharmos nas pautas centrais que dominarão as discussões. Como anfitriã pela primeira vez a Amazônia brasileira, a conferência promete ser um marco para a justiça climática, com foco em ações concretas para um planeta mais resiliente. Vamos destacar as principais agendas, que vão desde finanças verdes até a preservação de ecossistemas vitais.
COP30 e suas agendas
1. Financiamento Climático: o coração das negociações
Uma das pautas mais urgentes e polêmicas da COP 30 será o Novo Objetivo de Financiamento Climático (New Collective Quantified Goal, ou NCQG), que substituirá a meta de US$ 100 bilhões anuais, prometida em 2009 pelos países desenvolvidos. Essa agenda busca mobilizar trilhões de dólares para mitigar emissões e adaptar nações vulneráveis, com ênfase em fontes inovadoras como impostos sobre combustíveis fósseis e contribuições de grandes emissores emergentes. O Brasil defende uma abordagem “justa e ambiciosa”, priorizando fluxos de recursos para o Sul Global. Espera-se que acordos aqui acelerem investimentos em energias renováveis e infraestrutura resiliente, evitando que o fardo recaia desproporcionalmente sobre países em desenvolvimento.
2. Perdas e Danos: reconhecendo o irreparável
Desde a criação do Fundo para Perdas e Danos na COP27, essa pauta ganhou tração, e a COP30 será fundamental para operacionalizá-lo. Países insulares e em desenvolvimento, como o Brasil em suas regiões costeiras, demandam compensações por impactos irreversíveis, como inundações e secas extremas causadas pelo aquecimento global. A agenda inclui definir contribuições financeiras de nações ricas e mecanismos de acesso rápido aos recursos. Com a Amazônia em foco, espera-se discussões sobre como integrar perdas em biomas tropicais, promovendo a equidade climática e evitando que comunidades indígenas e ribeirinhas paguem o preço de emissões históricas alheias.
3. Mitigação de Emissões: acelerando a transição energética
Atualizar as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) será outro pilar, com nações revisando metas para alinhá-las ao limite de 1,5°C de aquecimento. A COP30 pressionará por cortes mais profundos em gases de efeito estufa, com foco em setores como energia e transporte. O Brasil destacará sua liderança em bioeconomia, promovendo etanol e hidrogênio verde como alternativas aos fósseis. Além disso, a pauta abrange o fim gradual dos subsídios a combustíveis poluentes e a expansão de tecnologias de captura de carbono. Essa agenda é vital para o agronegócio paranaense, que pode se beneficiar de incentivos para práticas de baixo carbono, como o plantio direto.
4. Adaptação e Resiliência: preparando o terreno para o inevitável
Com eventos climáticos cada vez mais frequentes – pense nas enchentes recentes no Rio Grande do Sul e o recente tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná –, a adaptação ganha proeminência. A COP30 avaliará o Plano Global de Adaptação e buscará planos nacionais mais robustos, integrando ciência indígena e monitoramento via satélite. No contexto brasileiro, isso significa investir em sistemas de alerta precoce na bacia amazônica e agricultura climato-inteligente no Paraná, onde secas afetam a soja e o milho. A pauta enfatiza parcerias público-privadas para construir cidades e fazendas resilientes, garantindo que ninguém fique para trás.
5. Preservação da Biodiversidade e Florestas: o papel da Amazônia
Como a COP30 ocorre em Belém, a pauta da “Amazônia como solução climática” será inescapável. O Brasil proporá um “Pacto Amazônico” para zerar o desmatamento até 2030, integrando a REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) com metas da Convenção sobre Diversidade Biológica. Isso inclui financiamento, em um fundo especial, para monitoramento comunitário e combate ao garimpo ilegal. Para o Paraná, vizinho da Mata Atlântica remanescente, essa agenda reforça a importância de corredores ecológicos e restauração florestal, beneficiando a economia verde local com ecoturismo e produtos sustentáveis.

6. Justiça Climática e Inclusão: vozes marginalizadas no centro
Por fim, a COP30 priorizará a participação de povos indígenas, mulheres e jovens, com sessões dedicadas à “justiça climática”. O Brasil, com sua diversidade, usará a conferência para amplificar narrativas do Sul Global, questionando o colonialismo climático. Espera-se compromissos para educação ambiental e equidade de gênero em negociações, inspirando ações locais como as iniciativas de cooperativas femininas em Londrina.
Essas pautas não são isoladas; elas se entrelaçam para formar um roteiro ambicioso contra a crise climática. Com mais de 190 países reunidos, a COP30 em Belém pode ser o turning point para ações transformadoras – ou um alerta para inações passadas. No Paraná, isso se traduz em oportunidades para inovação sustentável, como bioenergia e agricultura regenerativa. Fique ligado: na próxima edição, analisaremos os desafios logísticos e o impacto regional. O que você acha que o Brasil deve priorizar? Comente abaixo e junte-se ao debate pela sustentabilidade.
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
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