Uma viagem pela obra “A mentalidade anticapitalista”

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Por Cláudio Chiusoli

Estava acompanhando um debate e considerei que seria interessante para reflexão recomendar a leitura para quem gosta do assunto econômico, sugiro o livro intitulado A Mentalidade Anticapitalista, escrito pelo economista da Escola Austríaca Ludwig von Mises, publicado em 1956.

A obra aborda uma análise das origens psicológicas e sociológicas da aversão ao sistema capitalista cuja resistência ao capitalismo não se fundamenta em falhas econômicas ou argumentos racionais, mas sim em ressentimentos e invejas de grupos que se sentem frustrados ou desprestigiados em uma sociedade de mercado.

Livro A Mentalidade Anticapitalista aborda uma análise das origens psicológicas e sociológicas da resistência ao capitalismo
Reprodução da capa da segunda edição do livro

As principais ideias do livro Mentalidade Anticapitalista são resumidas aqui:

A natureza do capitalismo e a frustração individual

O capitalismo melhorou consideravelmente a qualidade de vida do cidadão, tornando bens e serviços acessíveis às massas. No capitalismo, prosperar e acumular riquezas acontece ao satisfazer as necessidades do consumidor. O mercado é descrito como uma “democracia do consumidor”, onde cada compra representa um “voto” que decide quem se destaca. A mobilidade social de alguém é definida por seus esforços e habilidades em servir aos outros, e não por status herdado. Por outro lado, essa possibilidade de ascensão causa ressentimento em indivíduos que não alcançam o sucesso desejado que invejam as conquistas alheias.

O ressentimento dos intelectuais

Historicamente, a posição e renda dos intelectuais eram asseguradas pelo patrocínio da alta sociedade (elites). No sistema capitalista, o sucesso financeiro tende a ir para aqueles com habilidades empresariais que atendem às necessidades do público, o que nem sempre coincide com prestígio acadêmico ou artístico. Ao invés de aceitar a dinâmica do mercado, muitos intelectuais atribuem culpa ao “sistema” e se tornam ideólogos anticapitalistas, retratando-o como um espaço onde apenas a “ganância” e a “exploração” prevalecem, desconsiderando a competência e esforço envolvidos.

A inveja de grupos como empregados e parentes de empresário

Alguns empregados não aceitam que a ascensão para um cargo de liderança requer habilidades e empenho que eles mesmos não detêm. Já por parte dos parentes de empresários (frequentemente filhos ou herdeiros) bem-sucedidos, beneficiam-se do sucesso capitalista do negócio e, às vezes, têm o ressentimento por não ter a capacidade de administrá-lo. Sentem-se inferiores ao parente que realmente gerencia a empresa e, em consequência, apoiam ideologias que criticam o sistema que, ironicamente, sustenta sua condição financeira.

A obra argumenta que, muitas vezes, o anticapitalismo depende de sentimentos e não de argumentos lógicos. As críticas ao capitalismo ignoram suas vantagens óbvias e enfatizam preocupações éticas imprecisas, como “injustiça” e “alienação”, para encobrir sentimentos de inveja e problemas com a meritocracia e a competição de mercado.

No entanto, o autor reconhece que o sistema capitalista tem falhas, mas destaca que nenhum outro sistema trouxe tanta prosperidade, inovação e liberdade.

A economia de mercado permite que o poder seja descentralizado, pois as escolhas dos consumidores decidem o sucesso de indivíduos e empresas.

Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR.

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Respostas de 2

  1. Boa tarde professor !!!
    Concordo que o capitalismo seja o melhor economico e social . Sou totalmente a favor da economia de mercado . Mas, também acho que nao podemos deixar de lado o humanismo . Quando a discussao nao considera os menos favorecidos, tudo está perdido .
    O capitalismo gera riqueza ?
    Sim.
    O capitalismo gera distorçoes ?
    Também .
    Sendo assim, devemos promover mecanismos de correçoes dessas imperfeiçoes .

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