Por Cláudio Chiusoli
Uma vez, um amigo me questionou sobre qual a minha corrente de pensamento econômico.
Respondi que sigo a perspectiva de Paulo Guedes, alinhado com o neoliberalismo e o liberalismo econômico, frequentemente vinculado à escola de Chicago.
A escola de Chicago é uma defensora de um governo enxuto, concentrando-se na privatização de empresas públicas, na redução de gastos governamentais, na eliminação de regulamentações e em reformas estruturais, como as da previdência e do sistema tributário.
Reporto uma entrevista de Paulo Guedes, que foi o Ministro da Economia durante a gestão do ex-presidente Bolsonaro, que citou a China, um regime comunista em um único partido que vive um capitalismo de Estado.

Capitalismo do Estado
Para compreensão, o capitalismo de Estado é um modelo econômico em que o governo se torna o principal agente econômico, controlando os meios de produção, as empresas e a distribuição de recursos para acumular capital e preservar interesses políticos.
Guedes menciona que a abordagem da China foi muito agressiva; o pagamento do 13º salário não é uma imposição, sendo uma escolha para as empresas, e as normas trabalhistas e o sistema de férias são mais flexíveis.
O presidente Cinês, Xi Jinping, que está no cargo desde 2013 e líder do Partido Comunista Chinês (PCC), abriu as portas da economia para o capital internacional e trouxe tecnologias que foram aplicadas no país, resultando em melhora nas condições de vida e no desenvolvimento econômico do país.
Os lucros cresceram e são reinvestidos em mais inovações, o que levou a maior acumulação de capital, aumento da produtividade no trabalho e maior competitividade das empresas. E por fim, mencionou que os salários no Oriente aumentaram mais do que os do Ocidente.

Finaliza a entrevista destacando como é interessante que um país socialista tenha adotado mais elementos de capitalismo e alcançado melhorias significativas, enquanto, por outro lado, há nações capitalistas que estão incorporando mais princípios socialistas e perderam competitividade.
Hoje, chineses e estrangeiros podem ser donos de empresas na China. O governo chinês incentiva o investimento estrangeiro, com leis específicas para proteger investidores e garantir igualdade de concorrência com as empresas chinesas. Basicamente, a única restrição em propriedade privada é sobre a terra, que continua pertencendo ao Estado, para evitar latifúndios como aqui no Brasil. Os agricultores tem a cessão das terras, pagam um tanto por 30 anos (que podem ser renovados) e o lucro é todo deles. A produção é toda voltada para comida para alimentar os mais de 1,4 bilhão de chineses.
Moral da história: os conhecidos produtos “Xing Ling”, uma expressão brasileira que se refere a produtos que vêm da China e de qualidade duvidosa, falsificados e que possuem tecnologia inferior, deixaram de ser comuns.
Não é à toa que a China se firmou como a segunda maior economia global e uma potência mundial.
Foto principal: Freepik
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
Leia todas as colunas de Economia no Seu Dia a Dia
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.


