Por Marcelo Minka
Como os cinemas ainda estão exibindo o filme do morcegão e o mórbido Morbius, além de alguns filmes infantis, e como o jornal já tem uma coluna sobre lançamentos da Netflix, vamos escrever sobre duas séries que estão, coincidentemente, na Apple TV +.
A série Ruptura discute de modo inteligente e profundo algo que a maioria de nós estamos enfrentando diariamente, a síndrome de burnout. Esta síndrome é um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e de grande estresse que são provocados por condições de trabalhos muito desgastantes. Nesta era pandêmica e pós-pandêmica o que não está desgastante?

Ruptura é produzida e dirigida por Ben Stiller (Uma Noite no Museu – 2006) e conta a rotina da gigantesca Lumen Industries, que criou uma tecnologia que separa as partes do cérebro relacionadas ao trabalho e à vida pessoal. Então, se você está em casa assistindo TV, jamais vai se preocupar com o relatório que tem que elaborar, e quando entrar em sua sala de trabalho vai se concentrar completamente, sem se preocupar com os perrengues de amor do dia a dia ou com as compras do mercado. Tudo parece um sonho, mas Stiller prova que pode ser um grande pesadelo.
E a discussão chega em um ótimo momento, nesta quase ressaca pós-pandêmica que estamos começando a saborear. Afinal, tudo se embaralhou com o COVID, vida doméstica com vida profissional, uma colocando de cabeça pra baixo a outra, agora é hora de separar novamente. A produção conta com um forte elenco: Adam Scott, Patricia Arquette, Christopher Walken entre outros. A fotografia também é incomodamente bela, mostrando arquiteturas frias, azuis, com grandes espaços vazios que refletem o interior dos personagens. Segunda temporada já confirmada.
A encantadora série Pachinko, adaptado do romance de Min Jin Lee, conta de maneira emocionante a história de quatro gerações de uma família coreana e como foram afetados pela colonização japonesa da Coréia no século 20. Com apenas oito episódios de aproximadamente sessenta minutos cada, Pachinko impressiona tanto no visual quanto no roteiro.
A história ocorre em décadas e gira em torno da personagem Sunja, interpretada por várias atrizes, inclusive por Youn YUh-jung, atriz de 74 anos ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua interpretação no filme Minari. A trama também foi filmada em várias locações diferentes, da Coreia sendo ocupada por forças japonesas no início do século XX ao Japão pop urbano que conhecemos.
Toda a produção de Pachinko foi dirigida por dois grandes cineastas ásio-americanos que têm abordagens díspares: Kogonada (Columbus – 2017), que carrega um estilo contido e lírico e Justin Chon (Gook – 2017) dono de um estilo mais instintivo, quase caótico. Pode ter certeza que, depois de assistir a séria, você vai querer ler o livro.

Marcelo Minka
Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.
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