Rápido e inexplicado declínio de memória ou comportamento; idade não esperada para os sintomas; variação dos sintomas durante o dia ou durante a semana; uso de medicamentos como analgésicos fortes; passado de doenças infecciosas; presença de tonturas ou incontinência urinária.
Tudo começa com a percepção da própria pessoa ou das pessoas mais próximas. Saber quando os sintomas acima iniciaram, se o comprometimento cognitivo é súbito e progressivo, história de traumatismo craniano recente, alteração de humor e o uso de medicações, são algumas das dicas que podem fornecer pistas para uma avaliação minuciosa sobre uma possível doença, ou não, relacionada à perda de memória.
Alteração da memória é uma das queixas mais comuns nos ambulatórios de neurologia e uma parcela das causas pode ser reversível e tratável. Comprometimento cognitivo ou piora de um quadro demencial pré-existente podem estar relacionados com depressão, deficiência de vitamina B12 e hipotireoidismo, ou algo ainda mais sério.
Por isso, a consulta médica neurológica é extremamente importante para que o médico possa observar os diversos sinais, com a conversa e o exame físico que, geralmente, segue com uma investigação de imagem subsequente para afastar hematomas, tumores ou demais causas que também podem ser responsáveis, além de testes de memória, que são ferramentas importantes para identificação das áreas afetadas e avaliação comparativa seguinte.
A investigação dessas condições é fundamental, pois o diagnóstico precoce e o tratamento correto impactam diretamente na qualidade de vida do paciente, além de alterar a progressão de uma possível doença.
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Simone Lucatto

Médica pela Universidade de Cuiabá e membro da equipe de neurologia do Hospital Santa Casa de Londrina

