Anualmente o Brasil registra 180 mil novos casos de câncer de pele, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o que representa 33% de todos os diagnósticos desta doença no país. E já estamos cansados de saber que o melhor jeito de preveni-la é evitar a exposição excessiva ao sol e proteger a pele dos efeitos da radiação ultravioleta (UV), cada vez mais forte e incidente num mundo que sofre as consequências do aquecimento global. Entretanto, o que pouco se fala é que procedimentos estéticos podem ajudar no tratamento da doença e, obviamente, na recuperação da pele posteriormente.
Vamos direto ao ponto. O carcinoma basoescular (CBC), considerado o mais prevalente e mais comum tipo de câncer de pele – existem ainda outros como o carcinoma espinocelular (CEC) e o melanoma –, por exemplo, pode ser combatido através da combinação de dois lasers usados em tratamentos de beleza. É o que atesta pesquisa publicada há alguns anos pela Sociedade Americana de Medicina e Cirurgia a Laser (ASLMS). Isso porque esse câncer específico é de baixa gravidade e responsável por provocar problemas funcionais e estéticos na região atingida.
Diferentemente do melanoma, que é mais raro e mais letal, embora curável em até 90% dos casos quando detectados precocemente e com métodos para que o paciente viva com qualidade. Afora essas situações, os tratamentos mais comuns para câncer da pele não-melanoma, que devem ser escolhidos com ajuda médica dependendo de cada caso, são basicamente cirurgias: excisional, curetagem e eletrodissecção, criocirurgia, cirurgia a laser, micrográfica de Mohs e terapia fotodinâmica.
Vou me ater em dois deles. A cirurgia excisional, por exemplo, remove o tumor (e uma pele adicional sadia, como segurança) com o bisturi, um procedimento seguro e eficaz. Já a curetagem, usada em tumores menores, promove a raspagem da lesão com cureta enquanto o bisturi elétrico destrói células cancerígenas. O procedimento é repetido por algumas vezes.
O certo é que, quanto mais cedo diagnosticados e tratados, melhor! Voltemos ao nosso exemplo. De acordo com a ASLMS, juntar os aparelhos Pulsed Dye Laser (PDL) e Nd:YAG faz com que os vasos sanguíneos dilatados que alimentam o câncer sequem, matando-o de fome e provocando a regressão da doença. Qual a vantagem? Esse tipo de procedimento, que ainda deve ser testado outras vezes, evita a possibilidade da cirurgia e impede o surgimento de cicatrizes.
Esses lasers são comuns em tratamentos estéticos feitos por médicos dermatologistas em casos de rejuvenescimento da pele e clareamento de manchas e vasinhos dilatados no rosto. Entretanto, a técnica só pode ser utilizada contra o câncer, primeiramente se aprovada por órgãos reguladores, e se for conduzida por profissionais capacitados, não em clínicas exclusivas de procedimentos estéticos.
Foto: Pixabay
Paula França Müller

Médica em Londrina, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) especialista em saúde da família e pós-graduanda em dermatologia pelo Instituto Superior de Medicina (ISMD), de São Paulo. Hoje atua como médica do Programa Saúde da Família na unidade básica de saúde do Jardim Santo Amaro, em Cambé, além de clinicar e integrar o corpo de professores da Pontifícia Universidade Católica (PUC), campus Londrina.

