Por Isabel Fontes
Setembro Amarelo nos convida a refletir sobre a saúde mental de maneira mais ampla, com foco na prevenção, no acolhimento e na pluralidade de cuidados que fortalecem o bem-estar. Falar de depressão ainda traz tabus, mas esse é exatamente o momento de abordar o tema com acolhimento, informação e esperança. A acupuntura se destaca como uma alternativa eficiente, respeitada por sua tradição e validada por pesquisas, incluindo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A depressão é um transtorno com múltiplas raízes — químicas, psicológicas, sociais e físicas. O tratamento convencional costuma envolver psicoterapia, medicação e mudanças no estilo de vida. Mas para muitos, esses recursos ainda não bastam. É nesse contexto que a acupuntura surge como aliada, oferecendo um cuidado integral que vai além dos sintomas.
Como a acupuntura age no corpo e na mente
Na Medicina Tradicional Chinesa, a depressão representa um bloqueio no fluxo de energia vital (Qi) que afeta órgãos, emoções e ritmos internos. A acupuntura atua restabelecendo esse fluxo, através da aplicação estratégica de agulhas, promovendo equilíbrio e reorganização energética.
Do ponto de vista da ciência moderna, sua ação também é notável:
- Estimula a liberação de neurotransmissores como serotonina, dopamina e endorfinas, fundamentais para o bem-estar;
- Reduz a atividade do sistema nervoso simpático, responsável pelo estresse;
- Melhora a qualidade do sono, crucial no tratamento da depressão;
- Reforça o sistema imunológico — já que quadros depressivos têm forte ligação com processos inflamatórios;
- Aumenta a energia física e mental.
Esses efeitos demonstram o potencial da acupuntura para promover equilíbrio emocional e físico simultaneamente.
Valor reconhecido pela OMS no combate à depressão

A OMS recomenda a acupuntura auricular como prática integrativa e complementar no tratamento da depressão, sendo incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil desde 2006 . Além disso, uma meta-análise envolvendo 29 estudos e mais de 2.200 participantes mostrou que a acupuntura reduz significativamente a gravidade da depressão — especialmente quando usada junto com medicamentos antidepressivos .
Complementaridade e segurança
A acupuntura se soma aos tratamentos convencionais, sem risco de efeitos indesejáveis. Nos quadros mais leves, pode reduzir o tempo de uso de medicamentos; nos mais graves, pode aliviar efeitos colaterais como insônia e fadiga, além de acelerar a resposta terapêutica. Trata-se de uma abordagem segura e acessível.
Evidência científica atual
Estudos clínicos demonstram que a combinação de acupuntura e antidepressivos gera resultados mais robustos do que o uso isolado de medicamentos .
Em um estudo clínico controlado, pacientes com depressão que receberam acupuntura apresentaram melhora significativa na qualidade de vida — física, emocional e social .
Um convite ao cuidado integral
Setembro Amarelo também é um chamado para olhar a saúde mental com profundidade e empatia. A prática da acupuntura nos lembra que corpo e mente são inseparáveis, e que cuidar de um é cuidar de tudo.
Se você enfrenta sintomas como tristeza persistente, insônia, falta de energia ou perda de interesse, saiba que buscar ajuda é um gesto de coragem. A acupuntura pode ser uma aliada valiosa nesse percurso — uma técnica segura, eficaz e reconhecida pelo SUS e pela OMS.
A dor emocional é tão merecedora de cuidado quanto a dor física — e não precisa ser enfrentada sozinha. Com o tratamento correto aliado à acupuntura é possível reencontrar equilíbrio, propósito e vitalidade para viver com mais leveza e bem-estar.
Isabel Teresa Caramori Fontes

Graduada em fisioterapia pela UEL em 1991, especializada em acupuntura desde 2001. Pós-graduada em fitoterapia chinesa. Terapeuta floral. Especialista em dor e menopausa. Me siga no Instagram
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