Por Suzi Bońfím
Um bom café, uma conversa animada e livros, uma receita básica para fomentar a conexão entre as pessoas e, literalmente, deixar o celular de lado por algumas horas. Esta é a proposta do Café, Prosa e Poesia promovido pela OHDY Cafeteria (sigla da música gospel Oh Happy Day), incentivar o encontro de amigos tendo como pano de fundo o amor pela literatura, o café, além é claro, de uma prosa que alimenta a alma. O primeiro encontro é nesta sexta-feira (12), às 9h, no Londrina Country Club.
O professor de literatura e barista, Cristiano Dias, ao abrir a cafeteria, recentemente, no hall do Country Club, um dos clubes de lazer mais tradicionais de Londrina, espalhou livros sobre as mesas que podem ser lidos no local ou emprestados pelos clientes. São obras de poesia, romance, biografia, ficção e livros técnicos, que convidam para dar uma pausa, ler uma poesia, um parágrafo ou, simplesmente, observar os vários títulos e temas disponíveis. Não dá para passar batido por alí.
Comigo foi assim. No entra e saí semanal da academia, os livros nas mesas do Café me atraíram, puxei conversa com o Cristiano e descobrimos o interesse em comum: o gosto pelo bate-papo, acompanhado por uma xícara de café. Atitudes simples que nos salvam de um mal que tem crescido entre as gerações – jovens, adultos e idosos: horas e horas de tela (no celular/notebook ou tablet)
Muitas vezes, deixamos o celular de lado, com a falsa ideia de estar se desligando do meio digital, mas apenas desviamos a atenção para a televisão ou notebook/tablet. Ou seja, continuamos tendo a tela como foco, variando apenas a proporção ou, ainda pior, mantemos as duas formas ativas ao mesmo tempo: televisão ligada e a conversa no whatsapp, simultâneamente.
Fuga do meio digital
Ao me dar conta de como as telas estavam me afetando, comecei a buscar nos livros mais uma alternativa de fuga do meio digital ( yoga e exercícios físicos já fazem parte da estratégia). Não pense que é fácil, é como um bebê que quando descobre a mamadeira não quer mais sugar o leite no peito da mãe. Satisfazer a “fome”, neste caso, de informação, mais rapidamente é a lógica do meio digital.
A leitura em papel exige atenção, concentração, silêncio interno e externo, ler e reler o parágrafo, voltar ao início a história de forma metódica, lentamente para absorver o que está escrito. O incentivo da jornalista, Aline Cubas, amiga de mais de 30 anos de Cuiabá, que agora está em Florianópolis -SC, onde fundou um Clube do Livro, foi fundamental com o empréstimo de vários livros, como Torto Arado, de Itamar Vieira Jr..
Além disso, sou daquelas que adora ficar horas conversando com amigas e amigos. Isso mesmo, horas. Geralmente, acompanhada por um café ou vinho seco com um chocolate amargo. Este trio – conversa,café e chocolate – que me faz muito bem, mas nem sempre está disponível na rotina diária das pessoas que queremos por perto. O trabalho, a família, o cansaço, mais trabalho e uma certa fobia social de alguns, justificam a falta de tempo para sair e falar sobre a vida, sem se preocupar com o relógio.
Brasil tem o segundo maior índice de pessoas diante das telas
No Brasil, a pesquisa Digital 2023: Global Overview Report aponta que a população permanece acordada por aproximadamente 16 horas diárias, nas quais mais da metade do tempo é dedicada ao manuseio de smartphones e computadores. Entre os 45 países pesquisados, os brasileiros aparecem com o segundo maior índice de pessoas diante das telas.
Os estudos indicam ainda os malefícios, físicos e emocionais, provocados pelo uso excessivo das telas. Entre eles estão o sedentarismo e os consequentes problemas com obesidade e cardíacos, em função da falta de atividade física; problemas de visão, como a fadiga visual e, em casos extremos, a síndrome do olho seco; o comprometimento da saúde mental, com o aumento da ansiedade e depressão; o isolamento social gerado pela falta de relações interpessoais;falta de sono e memória, a exposição à luz azul das telas, especialmente à noite antes de dormir interfere na produção de melatonina, o hormônio responsável pela regulação e qualidade do sono; a cognição, ou seja, a concentração e a capacidade de aprendizado afetadas pelas horas de tela.
Livro para uma conexão real
Assim, na sexta-feira, a convite do professor Cristiano, vou conduzir o encontro que não tem nenhuma formalidade. É só chegar com a disposição de conhecer pessoas e falar sobre o livro que está lendo, sugerir e trocar ideias do que pode ser o primeiro de muitos encontros. Quem tiver interesse, basta se inscrever no link para que a cafeteria tenha uma previsão do número de participantes. Até lá.
foto: Freepik
Suzi Bońfím

Jornalista, formada na UEL, por quase 30 anos morou em Cuiabá -MT. De volta a Londrina-PR, vive a fase R de reencontros e renovação, respirando novos ares. Atua em assessoria de imprensa, rádio e tv. É sócia do O Londrinēnse e entrevistadora do O Londrinēnse POD. Instagram @suzi.bonfim
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