Todos os escândalos da Câmara de Londrina

Em pouco mais de dois anos, a legislatura 2017-2020 acumulou desgastes – de cassação a prisões – que mancharam a imagem do Legislativo perante a opinião pública

Filipe Muniz
Equipe O LONDRINENSE

Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, os atuais vereadores de Londrina vão ter que se esforçar para apagar da memória da população todos os vexames que deram até agora, se quiserem ser reeleitos. Foram muitos e variados escândalos, para todos os tipos de gostos. A instauração de um processo na Comissão de Ética logo nos primeiros meses do mandato pode ter sido um presságio do que estaria por vir. Teve vereador xingando trabalhadores, teve vereador preso, teve vereador cassado. A 17a. Legislatura tem sido, até agora, um show de horrores. Vamos torcer para que, nos dois últimos anos de mandato, os vereadores saibam se comportar melhor. Acompanhe com a gente a cronologia dos desgastes e escândalos, que mostra que essa legislatura foi campeã no quesito de irritar a população.

2017

Janeiro – O pivô dos primeiros vexames foi o então vereador Émerson Petriv (PROS), o Boca Aberta. Naquele mês, a Câmara teve que analisar a sua conduta na chamada ‘blitz da saúde’, que causou confusão UPA do Jardim do Sol. Depois de investigar, a Comissão de Ética indicou apenas uma censura escrita ao então vereador.

Fevereiro – A Câmara aprovou moção de apoio a um estagiário de Maringá que foi criticado nacionalmente após publicar frases consideradas machistas na internet. Depois de votar a favor da moção, a única vereadora mulher do Legislativo, Daniele Ziober (PPS), disse que não sabia do que se tratava, que não conhecia o caso na íntegra. Ou seja, votou favoravelmente sem ler.

Abril – O então vereador Boca Aberta é alvo de nova denúncia. Ele teria cometido quebra de decoro parlamentar ao arrecadar dinheiro em uma ‘vaquinha’ virtual na internet.

Maio – O então vereador Filipe Barros (PSL) trouxe nova crise à Câmara com um vídeo publicado nas redes sociais, no qual apareceu xingando de “vagabundos” participantes da ‘Greve Geral’ ocorrida em 28 de abril. O fato gerou representação de entidades sindicais contra ele. Em agosto, o Conselho de Ética determinou uma “censura pública” ao então vereador

Setembro – Um dos maiores fatores de desgaste para o legislativo foi a revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), que gerou aumentos muito altos no IPTU dos londrinenses. O projeto foi aprovado em definitivo no dia 28, sem muita discussão.

Outubro – A Câmara cassou o mandato de Boca Aberta por quebra de decoro parlamentar em sessão realizada no dia 15. O processo foi marcado por confusões, que continuaram logo no dia seguinte. O vereador cassado teria ameaçado o então presidente, Mário Takahashi (PV), e recebeu voz de prisão. Depois, foi proibido pela justiça de frequentar a Câmara.

2018

Janeiro – A situação política, que já não estava muito boa, descambou para a área criminal. A Câmara começou 2018 com o afastamento do seu então presidente, Mário Takahashi (PV), e do vereador Rony Alves (PTB). O Ministério Público, na Operação ZR3, sustenta que os dois são líderes de uma organização criminosa que cobrava propina para mudar o zoneamento urbano da cidade.

Fevereiro – Veio à tona um áudio vazado do vereador Vilson Bittencourt (PSB) onde ele se diz enganado pelo prefeito Marcelo Belinati (PP) e que não imaginava que o aumento no IPTU seria “nesse absurdo”. O áudio parece confirmar que o vereador não leu o projeto que votou. Também nesse mês, a imprensa descobre que o diretor geral da Câmara, Mark Sandro Sorprezo de Almeida, nomeado pelo então presidente em exercício, Ailton Nantes (PP), responde na Justiça a um processo de improbidade administrativa quando era chefe de gabinete na Prefeitura Municipal de Rolândia. No mesmo mês, a Justiça de Londrina condena o vereador Gerson Araújo (PSDB) e outros três por improbidade administrativa. O grupo teria agido em conluio para influenciar ex-proprietários de terrenos localizados em frente ao Estádio do Café a venderem as terras para uma empresa envolvida no esquema.

Abril – O Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) emitiu recomendação ao prefeito de Londrina para que a mulher do vereador suplente Emanoel Gomes (PRB) fosse exonerada do cargo na Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres. O grupo identificou indícios de transnepotismo “que se materializa nas trocas de favores entre os poderes”.

Setembro – Depois de meses de tramitação e de uma batalha jurídica, a Câmara absolveu os dois vereadores envolvidos na Operação ZR3 da denúncia por quebra de decoro parlamentar protocolada por Filipe Barros.

Novembro – Projeto de iniciativa popular, com que pretendia revogar o aumento do IPTU foi aprovado em primeira discussão. Mas na segunda votação, alguns vereadores voltaram atrás e rejeitaram o desejo de cerca 30 mil pessoas que assinaram o projeto.

2019

Janeiro – Questionado em um comentário no Facebook, o presidente da Câmara, Ailton Nantes, disse que estava “trabalhando nessa questão” de mudar a bandeira de Londrina por causa da cor vermelha. Depois, afirmou em entrevista que estava estudando sobre o tema, mas que descartava a mudança nesse momento.

Fevereiro – Na abertura dos trabalhos do ano, correu a informação que a Prefeitura de Londrina teria montado uma lista com os nomes de vereadores que administração pública queria nas comissões, para dar sustentação a todos os projetos enviados pelo executivo ou para barrar projetos contrários. A Corregedoria da Câmara também arquivou a investigação sobre duas supostas ofertas de propina para que o vereador João Martins (PSL) votasse a favor da nova PGV e contra a cassação de Boca Aberta.

Presidente não vê prejuízo à imagem da instituição

O presidente da Câmara, Ailton Nantes, disse que todos os escândalos listados não devem prejudicar a imagem da instituição perante a população. Segundo ele, o trabalho parlamentar é uma coisa, de competência de cada vereador e a instituição é outra. “É preciso separar as questões parlamentares das institucionais. A gente não pode determinar que o vereador tal deve ler o projeto antes de votar. Só instruir. Também não podemos dizer como votar. Sua preparação, seu voto é seu trabalho parlamentar. Cada vereador é responsável por suas atitudes enquanto parlamentar”, diz.

Já o trabalho institucional da Câmara está sendo bem feito, segundo ele. “Todos esses fatos elencados é prova que a instituição colocou-os para o plenário e o plenário, para a população”, diz. Se houve rejeição de alguns projetos, como o projeto popular que revogava o aumento do IPTU, aí voltamos para o trabalho parlamentar. O vereador é dono do seu voto”, explica.

(Colaborou Telma Elorza)

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