Dados TSE apontam que boa parte dos candidatos estudaram pouco e não chegaram à formação média completa
Telma Elorza
O LONDRINENSE
Dos 545.523 candidaturas registradas na disputa eleitoral deste ano, em todo Brasil, 33,04% – ou 180.239 pessoas – não tem sequer o ensino médio completo. O número só é menor que aqueles que afirmam tem concluído o ensino médio, 38,01% que correspondem a 207.850 pessoas. Os com curso superior correspondem a 133.069 (24,39%) e com curso superior incompleto somam 24.365 (4,47%). Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral e foram divulgados nesta segunda-feira (28).
Entre os que não concluíram o ensino médio, 4,96% ou 27.065 candidatos afirmaram ter ensino médio incompleto; 66.479 (12,19%) afirmaram ter ensino fundamental completo; 69.613 (12,76%) afirmaram ter ensino fundamental incompleto; 17.061 (3,13) sabem apenas ler e escrever e 21 (O%) se declararam analfabetos.
Para o professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina (UEL) Clodomiro José Bannwart Júnior, o quadro estatístico mostra que mais de 70% do candidatos possuem como grau máximo de escolaridade o segundo grau completo. “Isso é uma fotografia do país em termos educacionais, permitindo concluir que qualquer ação que pretenda melhorar a qualificação política passa, antes, por mudanças sensíveis no processo educacional”, afirma.
Segundo Bannwart, é necessário avançar os indicies educacionais para qualificar o debate político, seja no processo eleitoral, seja dentro dos espaços institucionais – câmaras e prefeituras – em que os cidadãos serão representados pelos eleitos. “O representante eleito deve dispor de liberdade e de conhecimento para se posicionar no debate político, pois do contrário ele terá muita dificuldade de tomar parte, de forma profícua, nos assuntos mais variados, que exigem reflexão, estudo e deliberação política. Pessoas eleitas sem a devida formação e preparação para o cargo correm o risco de serem tutelados por assessores políticos ou jurídicos”, explica.
De acordo com o professor, as questões políticas são muito mais complexas que os simples fragmentos de notícias capturadas pelo senso comum. “O representante precisa ter qualificação para adentrar no debate político que envolve, ademais, questões difíceis e demandas díspares na sociedade”, afirma.
Por isso, segundo ele, é importante escolher candidatos que tenham capacidade de diálogo, que ajam com transparência, que consigam explicar e justificar seus argumentos, que tenham disposição de submeter-se ao contraditório, que acatem decisões de órgãos superiores (Partidos, Justiça Eleitoral, Ministério Público, etc), que respeitem as decisões do eleitorado. “É preciso que sejam capazes de dar continuidade aos discursos iniciados de maneira informal no espaço público, aprimorando-os nos canais formais de debate e de deliberação, onde, de fato, irão representar a sociedade ou parte da sociedade”, explica.
Foto: TSE
