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Ciclistas são multados por utilizarem ciclovia para deslocamento

Associação Mobilidade Ativa quer reverter multas porque uso da bicicleta é meio de transporte e lazer

Telma Elorza

O LONDRINENSE

A pandemia de covid-19 trouxe novos hábitos para a população mundial: o uso de bicicletas em lugar de transporte público, como prática de esportes e lazer. Cidades no mundo todo estão investindo em ciclovias para reduzir o risco de contaminação no transporte urbano e ofertarem opções de lazer seguro. Menos em Londrina. Aqui, as poucas ciclovias que existem estão sendo eliminadas – como a da Avenida Ayrton Senna – e ciclistas estão sendo multados por utilizarem as ciclovias, principalmente a que margeia o Lago Igapó.

O decreto municipal 1049/2020, publicado no dia 10 de setembro, que proibiu a utilização de parques, praças, pistas de caminhada, ciclovias, academias ao ar livre e demais espaços públicos similares existentes no Município de Londrina. Ciclistas estão sendo obrigados a transitarem por vias públicas movimentadas mesmo que elas tenham ciclovias, sob pena de multa, embora estejam utilizando o espaço para se deslocar para o trabalho.

O jornalista Guto Rocha, 51 anos, foi um dos multados, no dia 20 de agosto, porque utilizou a ciclovia – que é praticamente a continuação da rua da sua casa – no entorno do Lago Igapó, por um trecho de 150 metros para se dirigir à Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde pretendia se exercitar. “Ou eu entro na avenida movimentada ou na ciclovia. Automaticamente, escolho a ciclovia. Eu estava simplesmente passando, quando a Guarda Municipal me abordou. Como questionei o fato de não estar aglomerando e apenas me deslocando por ali, o GM ficou nervoso, me mandou parar e foi muito truculento. E me multou porque eu não quis arriscar minha vida circulando pela rua movimentada”, afirmou.

Ele aponta a incongruência das medidas tomadas pelo prefeito Marcelo Belinati. “Libera as academias, que são locais fechados e muito mais propícios à transmissão do novo coronavírus que um local aberto”, disse. Rocha contou seu caso com um vídeo no Instagram.  Segundo o jornalista, ele utiliza a bicicleta no seu dia a dia para tudo, seja trabalho, compras ou lazer. “Eu ando de bicicleta todo dia, uma hora e meia mais ou menos. E aonde vou, prefiro ir de bike do que pegar meu carro”, resume.

A Associação Mobilidade Ativa, que reúne ciclistas de toda cidade, está se mobilizando para reverter essas multas. Segundo o geógrafo Matheus Oliveira Martins da Silva, um dos membros da associação, uma pesquisa foi disponibilizada na internet para levantando de quantas multas já foram aplicadas em ciclistas. “Até o momento só três pessoas responderam, e todas foram multadas ali na região do Lago Igapó. Mas sabemos que a maioria que usa a bicicleta como meio de transporte não tem acesso a internet. Há vários operários e trabalhadores que se deslocam de bicicleta naquela região como forma de economizar o dinheiro do ônibus. Uma das responderam estava indo para o trabalho quando foi multada”, afirma. Segundo ele, além do deslocamento e lazer, o ciclismo é uma atividade física que não gera aglomeração e que não pode ser impedida.

Segundo o geógrafo, a associação se reuniu, a manhã de hoje com o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Marcelo Cortez, para pedir a implantação de ciclovias emergenciais e também sobre a questão das multas. “Mas só conseguimos a resposta que será direcionado ao setor. E quantos às multas, teremos que conversar com a Guarda Municipal. A gente vai tentar o levantamento de quantas multas foram aplicadas e tentar reverter isso, nem que seja judicialmente”, afirmou.

Pedestres acuados – O absurdo da situação foi o relato feito pelo empreendedor individual Manoel José da Silva, 53 anos, que contou que sua esposa e uma outra familiar foram constrangidas pela Guarda Municipal a não utilizarem a calçada da via Ayrton Senna, no trecho que liga a Gleba Palhano ao centro da cidade. “Nós moramos no Residencial Margens do Igapó e minha esposa e a familiar passam ali diariamente para trabalhar na Gleba. As duas foram abordadas e sob ameaça de que, se não cumprissem a ordem, poderiam ser multadas. Minha esposa estava voltando do trabalho, de uniforme, com o objetivo definido de cruzar o fundo de vale, estava claríssimo que não andava por ali para lazer ou exercícios. Mesmo assim, foi obrigada a andar pela rua, correndo riscos no meio dos carros”, contou. Segundo ele, o absurdo da situação o revoltou. “Eles querem que cruzem aquele local, que é um fundo de vale, como? Voando? Nadando?”, questionou.

O LONDRINENSE solicitou uma entrevista com o secretário municipal de Defesa Social, Pedro Ramos, para falar sobre essas multas mas recebeu apenas uma resposta repassada através do assessor. Na mensagem, o secretário diz que não estão fiscalizando os ciclistas e que “as ciclovias interditadas são apenas as que estão relacionadas às áreas de lazer (Lagos, Zerão entre outras). Quem for flagrado naquela ciclovia será notificado por estar utilizando um espaço público interditado conforme decreto municipal de combate à aglomeração”. Sobre a quantidade de multas aplicadas aos ciclistas, o assessor disse que “não foram aplicadas multas a ciclistas. Conforme informado, quem foi autuado no período da pandemia – em áreas públicas de lazer – foram pessoas que estavam utilizando o espaço interditado.”

Foto: Gabriel Santos Fotografia no Pexels

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2 Comentários

  1. Q administraçao horrorosa! Essa gestão é a pior desde nedson. Aumentos extorsivos no IPTU, privilégios para servidores, desmandos na cidade, venda da sercomtel sem retorno ao município e com edital maquiado…
    A população tem o gestor que merece!

  2. Eu também utilizo a mesma ciclovia para ir e voltar do trabalho ! Sou diarista e a maioria das minhas diárias são na gleba e como moro no Valle azul ali é um caminho ideal ! Mais também fui abordada e hoje recebi a notificação !

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