Por professor Renato Munhoz
A escola mudou, e com ela as pautas que atravessam o ambiente escolar. Questões como bullying, racismo e homofobia, que antes eram vistas como problemas externos, hoje atravessam os muros e se manifestam dentro das salas de aula. Esses temas exigem reflexão, debate e posicionamento dos educadores, mas nem sempre nos sentimos preparados para lidar com tais complexidades. A omissão diante dessas situações é perigosa, pois reforça estruturas de violência e exclusão.
Formação permanente: um caminho necessário
Repensar a prática pedagógica é urgente. A formação permanente dos educadores aparece como ferramenta fundamental nesse processo. Atualizar-se, revisitar metodologias, conhecer bibliografias críticas e contemporâneas, tudo isso contribui para que professores se sintam mais preparados para mediar conflitos e gerar conversas saudáveis com seus alunos, na escola. Como lembra Paulo Freire em sua obra Pedagogia da Autonomia, “ensinar exige coragem para enfrentar os desafios da realidade”.
Um ambiente que fale por si

A estrutura escolar também precisa ser repensada. A escola deve ser um espaço de acolhimento e cidadania, com ambientes que comuniquem pertencimento e inclusão. Uma biblioteca que traga não apenas clássicos, mas também vozes atuais e diversas, é um bom exemplo. Espaços de diálogo, rodas de conversa e projetos permanentes que estimulem a escuta ativa e a participação dos jovens contribuem para a construção de um ambiente que realmente represente os estudantes.
O protagonismo juvenil na escola
Mais do que apenas receptores de informação, os alunos precisam ser vistos como protagonistas do processo educativo. Suas vozes devem ser ouvidas, seus posicionamentos respeitados e incentivados. Essa participação ativa fortalece a cidadania e contribui para que os estudantes se sintam parte de uma escola comprometida com a transformação social.
O silêncio também fala
É fundamental compreender que a omissão diante do preconceito ou de situações de agressão é, em si, um posicionamento. O silêncio do educador, ainda que não intencional, pode ser interpretado como concordância. Isso revela a urgência de investir na qualificação ética, política e humana da prática docente. Como destaca bell hooks, em Ensinando a Transgredir, educar é também um ato político e exige responsabilidade diante da realidade que nos cerca.
Enfim…
Educar não é apenas transmitir conhecimento dentro da escola, mas formar sujeitos capazes de pensar criticamente, respeitar a diversidade e se posicionar diante das injustiças. Para isso, não basta evitar o conflito: é preciso enfrentá-lo com preparo, sensibilidade e coragem. Afinal, omitir-se não é neutralidade, é reforçar o problema.
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
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