Por professor Renato Munhoz
A saúde mental na comunidade escolar é um tema que vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões pedagógicas e educacionais. No entanto, ainda se percebe um olhar limitado ao cuidado com os educandos, enquanto os educadores, gestores e demais profissionais da escola permanecem em segundo plano. Cuidar de quem cuida é fundamental. A saúde mental, entendida aqui como humanização dos espaços, deve contemplar tanto os alunos quanto os profissionais, todos sujeitos às demandas e desafios cotidianos que afetam seu bem-estar emocional.
O peso do Burnout docente
O esgotamento emocional, também conhecido como síndrome de Burnout, tem se tornado uma realidade cada vez mais comum entre professores. A sobrecarga de trabalho, a pressão por resultados e a falta de apoio institucional contribuem para um cenário preocupante. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera o ranking de países com maior número de pessoas afetadas pela síndrome. No contexto educacional, isso se agrava diante da falta de políticas de acolhimento e prevenção voltadas para os profissionais da educação.
O documentário ‘Quando Sinto que já Sei’ (2014), dirigido por Antonio Sagrado, Anderson Lima e Raul Perez, explora as relações humanas no ambiente escolar e convida à reflexão sobre as pressões que recaem sobre professores e estudantes. Outro exemplo relevante é o filme ‘Sociedade dos Poetas Mortos’ (1989), que mostra como a ausência de acolhimento emocional pode resultar em tragédias e como a empatia e o diálogo são fundamentais na formação humana.
Ansiedade e depressão entre jovens
Os jovens também enfrentam desafios emocionais crescentes. A ansiedade e a depressão despontam como as principais queixas, especialmente em um contexto de intensa pressão por desempenho acadêmico e sucesso futuro. A série ’13 Reasons Why’ (2017) levantou um intenso debate sobre saúde mental juvenil, expondo as consequências do bullying e da falta de apoio emocional.
A pesquisadora Ana Bock, em seu livro ‘Psicologia Social: Construindo o Conhecimento Crítico’ (2001), argumenta que o cuidado emocional é parte essencial da construção de uma educação que respeite a integralidade dos sujeitos. A pandemia de COVID deixou como herança a ansiedade e diversos impactos emocionais em nossas crianças, adolescentes e jovens, que são sentidos até hoje, refletindo diretamente no ambiente escolar.
Cuidar de quem cuida: o desafio da escola
É fundamental que as escolas promovam momentos oportunos de cuidado entre os educadores, permitindo que falem de suas dificuldades e compartilhem estratégias de enfrentamento. Além disso, incluir práticas de cuidado na rotina escolar fortalece o senso de comunidade e cria um ambiente de apoio mútuo.
A ideia de que a saúde mental sempre esteve presente nos espaços educativos, mesmo que sem as denominações modernas, reforça a percepção de que cuidar da saúde emocional significa humanizar os espaços escolares. São seres humanos lidando com seres humanos, e o reconhecimento dessa realidade é um passo essencial para promover um ambiente verdadeiramente acolhedor e transformador.
Promover rodas de conversa, palestras com profissionais da saúde e momentos de descompressão são estratégias práticas que podem ser incorporadas ao cotidiano escolar. Cuidar de quem cuida é uma necessidade urgente, para que o professor não seja apenas um transmissor de conhecimento, mas também um sujeito íntegro e respeitado em sua integralidade humana.
A construção de uma comunidade escolar mais saudável emocionalmente depende de políticas que envolvam gestão, professores e alunos, reconhecendo que a saúde mental é uma questão coletiva e não apenas individual.
Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Especialista em Juventude e em Gestão de Programas e Projetos Sociais. Pós em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Me siga no Instagram @profrenatomunhoz
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