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Retrospectiva 2020 – Será que evoluímos?

Por Leonardo Bonfim, advogado

Que praticamente todos nós nunca vimos um ano igual ao de 2020, não há dúvidas, mas a pergunta que nós devemos fazer é: Será que realmente evoluímos?

É claro que eu não sou um exemplo de evolução e superação dos acontecimentos de 2020, mas não custa nada fazermos juntos uma reflexão e é exatamente esse o meu convite.

Ameaças iminentes de uma guerra mundial, pandemia, uso de máscaras, isolamento social, home office, lockdown, violência racial, ciclones, desastres naturais, ataque de gafanhotos, explosão em Beirute, corrupção nos governos, assédios, mortes, ufaa… São tantos acontecimentos catastróficos que não tem nem como enumerar, mas eu acredito que 2020 não foi só de tragédias, apesar da loucura que estamos vivendo. Porém, tudo isso depende de como enxergamos esses acontecimentos.

Com certeza eu devo me perguntar o que foi que eu aprendi com todos esses turbilhões de fatos ocorridos neste fatídico ano. Você já parou pra se perguntar?

Vivemos atualmente uma batalha virtual pelo reconhecimento e pela razão, em todas as áreas da nossa vida, seja na política, religião, vida profissional, pessoal, enfim, uma árdua luta pelo nosso espaço e pela nossa sobrevivência.

Não tem lição mais dura do que aprender pela dor, já que o ser humano é teimoso por natureza em não querer aprender pelo amor. Pior ainda são os que insistem em não querer aprender nada.

Mas o que eu devo aprender? Neste ano em que explodiu essa pandemia, onde vemos todos os dias noticias de vidas sendo ceifadas por causa desse vírus, hospitais praticamente lotados, profissionais de saúde sendo levados à exaustão para dar conta de atender a população, proibição até mesmo de velar seus entes queridos de forma digna, economia despencando, preços subindo, empresas fechando, escolas fechadas, métodos de ensino à distância precários, doenças emocionais e psicológicas se proliferando, o que podemos tirar de bom nisso tudo?

Bom, eu acredito que em primeiro lugar que se estamos com saúde, senão fomos infectados pelo vírus e nem os nossos entes queridos, mesmo descumprindo constantemente as determinações de isolamento social, já é mais do que suficiente para termos gratidão em nosso coração por termos passado por tudo isso, reconhecendo que não merecemos.

Em segundo lugar que, mesmo com essa crise pandêmica, os nossos trabalhos não foram afetados e não faltou o alimento à nossa mesa, também é outra forte e convincente razão para agradecernos.

Só com essas duas razões (saúde e trabalho) eu creio que já temos argumentos suficientes para refletir se evoluímos ou não.

Será que neste ano nós conseguimos exercer mais amor e empatia pelas dores do próximo? Será que conseguimos deixar o nosso egoísmo de lado e respeitamos as limitaçôes do outro? Será que eu aprendi a respeitar as diferenças alheias, mesmo não concordando com elas? Será que eu estendi a minha mão para ajudar quem precisava? Será que eu senti no meu coração, mesmo não tendo faltado nada, que o meu ano foi vazio e miserável? Será que eu tive paciência com meus pais ou a minha família em meio a essa loucura de enclausuramento social?

Refletir não é fácil. Eu não busco isso para ficar mergulhado em culpa, mas pra reconhecer que eu preciso me adaptar às circunstâncias e buscar ser alguém melhor a cada dia, mas não é fácil. É preciso querer.

O ano de 2020 foi divisor de águas nas nossas vidas, mas se em meio a todas essas tempestades não aprendemos a olhar com mais amor para o próximo e não conseguimos muitas vezes abrir mão de nossos prazeres transitórios para exercer empatia, podemos ter certeza que ainda falta muito para evoluirnos e podermos ser chamados verdadeiramente de seres humanos.

Foto: Karolina Grabowska no Pexels

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