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Resistência e resiliência no dia 2 de fevereiro: é doce morrer no mar…

Yemonjá ogigi tagitagi

O le li odò bi Osumare

Olo oyon oruba

O gbe uara e jara mani

O gba ohun kan pati li owo egbe

Okoko no ko olomu a lo egbe do

Acima, um oriki, que poderíamos traduzir de forma livre para a língua portuguesa como um provérbio, um encantamento ou um narrar de momentos do poder da grande senhora do mar no Brasil, Yemonjá. Neste momento de pandemia aguda que se alastra de forma inconsequente em alguns lugares; em outros, da forma como a Natureza consegue e se faz impor, mas sem a cumplicidade e o atravessamento do ser humano, pensar na importância de saber e compreender os significados vários dos nossos elementos, de nossos materiais e principalmente dos orixás que ainda são consagrados no país, com toda a violência do processo escravocrata que dizimou milhões de pessoas se pensarmos na mais atual delas a do Atlântico Negro, nos inquieta.

Algumas pesquisas apontam que tenham sido trazidos para o Brasil, entre 7 milhões e 10 milhões de pessoas, entre crianças, idosos, homens e mulheres, capturados das formas mais violentas e possíveis de imaginar, de vários lugares do continente africano. Convém, inclusive, dizer que África é um continente, que abriga hoje 54 países, com desertos, savanas, matas fechadas, banhadas por vários rios, desde o Nilo no Egito até o Kwanza em Angola, apenas como dois exemplos de grandes rios que são importantes para aquelas populações. E temos o rio Ogún consagrado na Nigéria à Yemonjá, do mesmo nome de outro orixá cultuado no Brasil, aqui tido como o senhor da forja, do ferro, um grande guerreiro.

Do nosso oriki, acima citado, a beleza do arco-íris com as cores que dão vida a Osumaré, a referência aos seios fartos e úmidos dessa grande mãe, que tem em si o leite que alimenta e protege com seus remédios naturais a criança que dele se farta, da senhora sábia, que descontente com alguma situação que envolve alguém, não vai à praça e cria confusão ou faz fofocas, mas que analisa com calma e cuidado a situação toda, para não julgar antes de saber dos dois lados da mesma história, a que segura firmemente a mão dos seus amigos e amigas, sem fazer questão de julgamentos por algum ato “falho” ou mesmo, ato pensado, aquela que tem a doçura e o colo ou ombro amigo (os dois, em alguns casos) e acolhe todas as pessoas que a cercam e que a rodeiam.

Suas águas que a simbolizam, não são águas para afogar as pessoas, mas são aquelas que limpam as impurezas, que servem de lugar sagrado aonde se busca a pesca, sendo, assim, a fonte segura de uma alimentação mais completa e sadia.

Se, no Brasil, promessas do véio pescador hoje são cumpridas, para aquela baiana dengosa de pele porosa que cheira o pau da aroeira, dos pescadores dando presentes em Amaralina para a Mãe D’Água antes que venha o arrastão, no caminho do Barravento de Iansã, vou ver sambar num Candomblé nos pés de Sango meu pai, a força da rainha do mar.

Odoyá!

Bàbà Aikulola Esuynka OgunKola ÒsùnLaio

(Dejair Dionísio)

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