Um ano depois, vivemos uma nova onda de covid porque as pessoas esqueceram as medidas de segurança
Telma Elorza
O LONDRINENSE
Há exatamente um ano, nesta terça-feira (18), começava a vacinação em massa contra covid no Paraná, com a aplicação da primeira vacina na enfermeira Lucimar Josiane de Oliveira, da linha de frente do Hospital do Trabalhador, de Curitiba. Começava aí também nossa esperança de vencer a doença que, até agora, matou cerca 650 mil pessoas apenas no Brasil e milhões em todo o mundo. Os mais animados previam que, até o final do ano, estaríamos liberados e voltando à vida “normal”. Que a covid finalmente estaria vencida. Foi o que pensávamos. Tenho prints do Facebook para comprovar.
Depois de passar 2020 recolhidos (pelo menos, a maioria sensata), com pouca ou nenhuma interação com família e parentes próximos, amigos e colegas, o final de 2021 foi um “liberou geral”. A maioria, já duplamente vacinada, achou que podia tudo, que a doença estava sob controle. Foi um tal de festa para cá, festa para lá, encontros, churrascos, bares lotados. Esquecemos as máscaras, o álcool em gel e, principalmente, o distanciamento.
O resultado todo mundo já sabe. Uma nova onda de covid, uma cepa do coronavírus, pegou todo mundo que achava que, finalmente, estava livre da doença. Milhares de novos casos estão sendo registrados, a média móvel continua a subir, 496,1, em Londrina, registrada nesta segunda-feira (17). Índices superiores ao pior da pandemia, no ano passado. Os 18 primeiros dias de janeiro deu uma amostra aos londrinense do que pode continuar acontecer se não voltarmos a nos cuidar: só na segunda-feira, foram registrados 456 novos casos. Devem ser mais, porque os resultados dos exames colhidos na UPA Sabará estão demorando 10 dias ou mais para ficarem prontos. A Prefeitura não se programou para um novo surto. Trabalha no limite dos recursos que dispõe. Erro de estratégia, porque a nova onda deveria ser esperada depois de um período de festas, férias e sensação de liberdade.
Ah, mas os casos estão mais leves. Sim, estão. Graças à vacinação que começou nesse dia, no ano passado. Mas ainda tem gente morrendo. Ainda tem gente nas UTIs (12) e enfermarias (13). A maioria, pessoas com comorbidades ou aquelas sem esquema vacinal completo, por descaso ou ignorância. Negacionismo.
Mas o principal é que tem 1.908 pessoas em isolamento domiciliar ou que deveriam estar em isolamento, sabe-se lá. A Secretaria Municipal de Saúde não tem controle sobre elas. Tenho vários amigos que positivaram para covid, alguns nem receberam os resultados e muito menos uma ligação sequer da SMS para conferir se estão ou não fazendo o isolamento. Monitoramento zero. Vai da consciência da pessoa. E, sabemos, muitas não a tem. Egoístas, preocupados com o próprio umbigo. São quase duas mil pessoas afastadas do trabalho. Gente que depende do salário e empresas que estão sobrecarregadas com os afastamentos, porque faltam funcionários e mesmo assim têm que continuar pagando já que as licenças médicas são sempre menores que 15 dias, quando o INSS assume o pagamento. E quando são autônomos? Como ficam essas pessoas que não podem ganhar o pão de cada dia? Os prejuízos para a saúde que o covid causa, depois da vacinação em massa, é menor. Mas os prejuízos financeiros continuam. E podem aumentar.
Uma coisa é certa: com o coronavírus e suas cepas, não podemos descuidar. Nem agora e, provavelmente, nem nunca, até que 100% da população mundial esteja completamente vacinada. É preciso esquecer uma suposta “normalidade” e incorporar as medidas de segurança como o novo normal. Só assim os danos serão realmente menores.
Foto: Arquivo/Agência Brasil
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