O “fundão” bilionário e o fisiologismo

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Por Telma Elorza

Se a democracia tivesse estômago, estaria vomitando agora, ao ver o que o Congresso fez com o orçamento eleitora de 2026. A aprovação de um salto modesto de R$1 bilhão para inacreditáveis R$4,9 bilhões destinados so Fundo Eleitoral – que agora pode ser chamado de “Fundão”- é um dos últimos absurdos de privilégios de uma classe que só pensa em si mesmo, esquecendo de quem os colocou lá, o povo brasileiro.

O novo orçamento do “Fundão” é uma obra-prima da audácia dos parlamentares brasileiros: ntirar R$2,9 bi de emendas parlamentares, mais R$1 bi de verbas discricionárias – aquelas que não estão vinculadas a nenhum programa de governo e que podem ser usadas em casos de emergência nacional, por exemplo – para jogar tudo no pote das campanhas eleitorais com ar de “correção de equívoco”.

Enquanto gritam “menos Estado” para programas como Bolsa-Família, por exemplo, os mesmo políticos aprovam para si regalias que nenhum outro político no mundo tem: verbas para passagens, para moradia, cota para contratar em média 25 assessores (+ de R$110 mil/mês), gastos livres com comunicação e divulgação de seus mandatos (que mandatos, se só fazem merda?), alimentação e transporte (carros alugados e gasolina free), além de planos de saúde top de linha para si e seus familiares, sem contar que o salário de um deputado federal ultrapassa os R$46 mil/mês.

O aumento do valor do Fundão Eleitoral, para quase R$5 bilhões, mostra que os congressistas brasileiros estão só preocupados com seus próprios privilégios
Foto: Crongresso Nacional

O Fundão e o fisiologismo

É só política e benefícios com a aparência de função público. Eles reclamam do “assistencialismo”, mas acham normal encher o bolso com dinheiro público para si e sua campanhas milionárias. Que vão, claro, levá-los de novo para o Congresso, perpetuando-se no poder e no privilégio. Se criticar Bolsa-Família virou slogan da direita, defender o “Fundão” bilionário virou rotina do fisiologismo.

A tentativa de aprovar a chamada PEC da Blindagem (PEC 3/2021) – com artifícios para dificultar investigações ou prisões contra deputados e senadores, com votação secreta e exigindo autorização da casa para ação penal – só veio mostrar o que a maioria dos atuais congressistas quer: continuar com seus privilégios, suas “mamatas” e seus erros sem punição. Na Câmara, passou; no Senado, a Comissão de Constituição e Justiça rejeitou por unanimidade, depois da mobilização gigantesca da população contra esse absurdo.

Veja a hipocrisia: congressistas falam alto que o governo federal precisa “parar de manter preguiçosos”, “pessoas que recusam empregos para não perder os benefícios”. Mas ficam calados quando o Estado vira máquina de financiar partidos, campanhas e redes clientelistas. Claro, né? São os próprios beneficiados. Já diz o velho ditado: farinha pouca, meu pirão primeiro. O povo que se dane.

Imagine onde esse dinheirão do Fundão poderia ser aplicado? Melhorar o SUS, investir mais nas universidades federais; mais dinheiro para o FUNDEB – que financia a educação básica pública e valoriza os seus profissionais no Brasil-; investir em infraestrutura para escoamento de safras, enfim, muitas e melhores coisas que essa vergonha que, no fim, trará um balanço cruel para a população. Principalmente se houver uma grande emergência nacional. As verbas discricionárias vão fazer falta. Mas estará sendo “bem empregada” pagando marketeiros milionários.

E quando parlamentares afirmam que esse “Fundão” é “normal”, é preciso lembrar que normalizar o absurdo não o torna justo e moral. É só mais uma deformidade institucional “aceita”, para manter no poder os mesmos que tentaram se blindar.

A política é uma festa privada, bilionária, com ingressos pagos pelo povo.

Foto principal: Imagem gerado por IA/Grok

Telma Elorza

Jornalista, escritora e contadora de histórias, trabalhou na Folha de Londrina por quase 20 anos e no Jornal de Londrina por outros 10 anos, locais onde atuou como repórter, redatora e editora nas áreas de Economia, Política e Agronegócio, entre outras. Em 2019, fundou seu próprio jornal, O LONDRINE̅NSE, e se tornou entrevistadora do O LONDRINE̅NSE POD.

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Uma resposta

  1. É uma piada! Essa reforma do Fundão já era mais um absurdo que um stand-up de comédia política. Quem diria que o fim do fisiologismo viria com a população passando fome, enquanto os políticos se arrumam pra campanha de 2026 com mais verba que um festival internacional. Farinha pouca, meu pirão primeiro – que verdade antiga, que se encaixa perfeitamente aqui! E o melhor: a tentativa de blindar os cabeças de chorume mostra que o Congresso acha que o povo não vai cobrar. Mas lembrem-se, caros eleitores: na política, só há uma regra: quem tem mais verba, mais poder. E esse fundão bilionário? É só mais um privilégio que vai dar o que falar nas próximas eleições!

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