No início do ano, são os votos positivos relacionados ao novo Ano Novo, o que nos dá esperança de que a vida melhore com a nova data. Penso que não é bem assim. Acredito que podemos considerar como um novo ano, cada dia que acordamos e a vida recomeça. Começou um novo dia? Estamos vivos e a vida continua? Isto significa um novo ciclo.
Existem milhares de fórmulas de votos de felicitações a familiares, amigos e convivas. Como elas são livres e infinitas e cada um pode proclamar a sua, vou dar o meu pitaco.
Inspirado numa publicação do meu amigo, o jornalista Marcelo Oikawa, que, por sua vez inspirou-se em alguns pensamentos chineses, vão aí abaixo meus votos para um feliz 2020 a todos os meus amigos e amigas (e até mesmo aos possíveis desafetos, espero não tê-los, mas se os tiver, dedico principalmente a eles), numa fórmula simples, de três tópicos:
- Mantenha seu corpo ativo;
- Mantenha sua consciência em paz;
- Mantenha sua alma transparente.
Parece uma coisa simples de se cumprir, mas, pensando bem, pode ser um pouco complexo.
Manter o corpo ativo não significa ficar “saradão”, com músculos saltitando à vista, tentando impressionar o sexo oposto. Significa fazer o suficiente para preservar sua saúde. Caminhar todos os dias, fazer atividades físicas de resistência e de equilíbrio, sempre que possível assistido por um educador físico e precedido da devida avaliação médica. Mas, significa também: passear, viajar, conhecer novas pessoas, novos lugares, aprender coisas novas… afinal, ficando saudável a gente impressiona todo mundo, principalmente quando já passamos dos sessenta anos.
Manter a consciência em paz é uma tarefa árdua, um grande desafio. Entre tantas possibilidades significa terminar cada dia do novo ano sem ter passado ninguém para trás, sem ter enganado ou prejudicado ninguém para seu próprio benefício, sem ter sido agressivo ou prepotente com as pessoas, principalmente aquelas que a gente considere de status socioeconômico inferior (tem gente que pensa assim), ou ao contrário, ter sido dócil vassalo daqueles que achamos ser superiores nesta régua de comparações; além de não corromper, nem se deixar corromper… e, por aí afora vai a lista que não é pequena, mas segue o mesmo princípio.
Manter a alma transparente é ainda mais difícil. Significa não ter nada a esconder. Nada do que você tenha feito (ou deixado de fazer), praticado, instado outros a praticar e que você tenha vergonha ou medo de que venha a público e que tenha desesperadamente que esconder. Principalmente as pessoas de responsabilidades públicas, cujos atos ou omissões possam trazer prejuízos a muitos.
Juntando tudo, podemos ter certeza de que um ser transparente, tem sempre a consciência em paz. Mas precisa manter-se ativo, para não adoecer facilmente. Afinal, estes são essenciais a cada dia de qualquer ano novo.
Foto: Pixabay
Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região. Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.
