Como a atualização da NR-1 impacta os líderes empresariais em 2025

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Por Flávio Moura

A partir de 2025, a atualização da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) trará mudanças significativas para empresas de todos os setores. Essa normativa, que estabelece disposições gerais e gerenciais em segurança e saúde do trabalho, agora ganha ainda mais relevância ao reforçar a gestão de riscos e o compromisso das lideranças na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.

Não sou especialista em segurança do trabalho, mas sim especialista em “gente”. No meu dia a dia, atendendo diversas empresas, percebo como este tema é crítico e muitas vezes negligenciado. A NR-1 traz um impacto que vai muito além da segurança física, abordando também questões essenciais como assédio, violência no ambiente corporativo e a promoção da diversidade e inclusão. Essas mudanças exigem que os líderes adotem uma postura mais ativa na gestão do ambiente de trabalho, promovendo ações concretas para garantir um espaço seguro e respeitoso para todos os colaboradores.

Empresas que ignoram essas mudanças podem enfrentar não apenas sanções legais, mas também impactos negativos na sua imagem, produtividade e na cultura organizacional. O verdadeiro desafio é: como transformar essa obrigatoriedade em uma cultura do negócio?

Principais mudanças da NR-1 e impactos para os líderes

A revisão da NR-1 enfatiza o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Além disso, inclui:

1.           Regras de conduta contra o assédio sexual e outras formas de violência – Os líderes precisarão garantir um ambiente de trabalho seguro e respeitoso, atuando diretamente na prevenção e resolução de casos. Isso exige uma postura proativa, garantindo que todos os colaboradores saibam quais comportamentos são inaceitáveis e quais são as consequências para quem desrespeitá-los.

2.           Procedimentos para receber e acompanhar denúncias – Isso exige maior proximidade dos gestores com suas equipes e com as áreas de apoio, como RH e Compliance, assegurando transparência e confiança no tratamento das queixas. Criar canais anônimos de denúncia e garantir que todas as queixas sejam investigadas de maneira imparcial é um passo essencial.

3.           Ações de capacitação sobre violência, assédio, igualdade e diversidade – Programas de treinamento passarão a ser obrigatórios, o que significa que os líderes precisarão incentivar e participar ativamente dessas iniciativas. Além de promover treinamentos formais, é importante que os gestores abordem esses temas em reuniões e interações do dia a dia, reforçando a cultura organizacional.

O papel dos líderes na prática

A atualização da NR-1 traz um impacto que vai muito além da segurança física, abordando também questões essenciais como assédio, violência no ambiente corporativo e promoção de diversidade e inclusão
Fotos: Imagens geradas por IA/Freepik

O envolvimento da liderança é essencial para que essas mudanças sejam efetivas. Algumas ações práticas incluem:

Realizar DDS (Diálogo Diário de Segurança) para discutir temas como prevenção de riscos, respeito no ambiente de trabalho e boas práticas de conduta. Essas reuniões curtas ajudam a criar um ambiente de diálogo aberto e reforçam a importância do tema de maneira contínua.

Estabelecer um canal de comunicação aberto com as áreas de RH, Compliance e Segurança do Trabalho. O líder deve atuar como um facilitador, garantindo que os colaboradores se sintam confortáveis para relatar problemas e buscar orientações.

Incentivar uma cultura de respeito e responsabilidade por meio do exemplo. Não basta apenas reforçar as regras, é fundamental que os líderes demonstrem em suas atitudes diárias o compromisso com um ambiente seguro e saudável.

Monitorar indicadores de clima organizacional e bem-estar. Pesquisas internas podem ajudar a identificar problemas antes que se tornem crises. Se um setor apresentar altos índices de insatisfação ou relatos de assédio, a liderança precisa agir rapidamente.

Criar comitês de diversidade e inclusão para promover debates e ações práticas que garantam um ambiente de trabalho mais equilibrado e respeitoso. Isso pode envolver desde ajustes nas políticas internas até iniciativas educacionais.

Trabalhar em conjunto com a área de segurança do trabalho para alinhar práticas que vão além do cumprimento legal e realmente impactem positivamente o dia a dia dos colaboradores. Quando segurança e bem-estar são tratados como pilares estratégicos, a empresa colhe benefícios em produtividade e engajamento.

O que os líderes precisam fazer desde já

Embora a NR-1 entre em vigor oficialmente em maio de 2025, os líderes precisam começar a se preparar desde agora. Algumas ações imediatas incluem:

  • Revisar e atualizar o código de conduta da empresa, garantindo que esteja alinhado com as novas diretrizes da NR-1.
  • Capacitar os gestores e equipes sobre assédio, diversidade e respeito no ambiente de trabalho.
  • Criar ou reforçar canais de denúncia eficazes e garantir que haja processos bem definidos para lidar com as queixas.
  • Avaliar e fortalecer a integração entre as áreas de RH, Segurança do Trabalho e Compliance para garantir uma abordagem unificada.

A NR-1 não deve ser vista apenas como uma exigência legal, mas como uma oportunidade para construir empresas mais seguras, éticas e produtivas. Os líderes que adotarem uma postura ativa nesse processo não apenas evitarão problemas jurídicos, mas também fortalecerão suas equipes e contribuirão para um ambiente de trabalho mais saudável e eficiente.

Se você é líder, gestor ou profissional que deseja transformar seu ambiente de trabalho para melhor, comece agora. As mudanças exigem tempo e comprometimento, mas os benefícios de uma cultura organizacional forte e respeitosa são inegáveis.

(*) Flávio Moura é educador corporativo, palestrante e consultor em desenvolvimento humano e organizacional, com grande experiência em projetos de mentoria e desenvolvimento de lideranças, mestre em ensino e especialista em estratégia empresarial e empreendedorismo, bem como engenharia da produção e logística. Atuou, durante vários anos, como executivo em empresas de expressão nacional de diversos segmentos, tendo conduzido a implantação de projetos de melhoria e gerenciamento de operações. Autor do livro O que faço agora que virei líder? (Editora Qualitymark)

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