Minha infeliz saga com o “Celular Seguro”, aplicativo do governo e a Vivo 

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Por Suzi Bonfim

O aplicativo “Celular Seguro” é uma iniciativa do Governo Federal do Brasil voltada para a segurança e recuperação de dispositivos móveis em caso de perda ou roubo. A ferramenta, nos primeiros seis meses do ano, chegou a  mais de dois milhões de usuários cadastrados e 57.790 pessoas emitindo um alerta após roubo, furto ou perda do aparelho.

Antes de contar aqui o transtorno que estou passando com a operadora Vivo em função da perda do meu celular, é preciso entender a funcionalidade do aplicativo que tem como principal objetivo facilitar o bloqueio de celulares roubados, dificultando a utilização desses aparelhos por terceiros e ajudando na recuperação dos mesmos. Para isso, o usuário tem que seguir alguns passos:

1. Registrar do IMEI

O IMEI (International Mobile Equipment Identity) é um número único que identifica cada dispositivo móvel. O “Celular Seguro” permite que os usuários registrem o IMEI de seus dispositivos. Esse registro é crucial para que, em caso de perda ou roubo, o dispositivo possa ser bloqueado e impedido de ser usado em redes móveis.

2. Bloqueio Remoto

Caso o dispositivo seja perdido ou roubado, o usuário pode usar o app para solicitar o bloqueio do aparelho, inutilizando-o para chamadas, mensagens e uso de dados móveis. O bloqueio é feito através do IMEI registrado, tornando o dispositivo inoperante mesmo que o cartão SIM seja trocado.

3. Recuperação de Dispositivo

Se o dispositivo for encontrado, o usuário pode solicitar o desbloqueio através do app, restabelecendo as funcionalidades normais do aparelho.

4. Verificação de IMEI

O app permite que os usuários verifiquem se um dispositivo é legal e não está bloqueado por roubo ou perda, antes de adquirir um aparelho de terceiros. Isso ajuda a reduzir o mercado de dispositivos móveis roubados.

Até aí, parece perfeito, mas o governo federal esqueceu de combinar com as operadoras questões práticas como o desbloqueio do aparelho em caso de recuperação pelo proprietário que perdeu ou teve o celular roubado. 

Foi o que aconteceu comigo. Há quase um mês, esqueci o celular em um Uber, em Londrina, recuperei o aparelho, porém, até que isso fosse possível acionei o app Celular Seguro já que no celular está boa parte da nossa vida pessoal e profissional.  Portanto, era a garantia de que meus dados não seriam acessados. 

Já com o celular em mãos – Deus agindo, como sempre na minha vida – teve início uma dor de cabeça que até agora (25 dias depois de perder e encontrar o aparelho) não foi resolvida apesar de ter realizado a orientação da Anatel, neste caso.

Celular Seguro: dor de cabeça

Recorri à operadora do celular, a Vivo, na loja do shopping Boulevard. Lá ficou evidente que gerente e funcionários nunca tinham se deparado com esta situação: desbloquear o IMEI do celular bloqueado por meio do app Celular Seguro. 

A operadora disse que só a Anatel poderia fazer o desbloqueio do IMEI e a loja já teria feito o pedido à agência, e o prazo seria de 10 dias para liberação.. Após o meu questionamento sobre como acompanhar o pedido, o funcionário me passou um número supostamente do protocolo junto à agência. Lembrando que na loja também fui informada que é mais fácil conseguir o desbloqueio do IMEI em qualquer camelô do que com o procedimento realizado pela ferramenta do governo. 

Próximo da data, entrei em contato com a Anatel pra saber se o IMEI já havia sido desbloqueado. Adivinha: não há nenhum protocolo da Vivo na agência para desbloqueio do celular porque esta função cabe à operadora. Fui ludibriada!

Teve início então, outra fase até agora não resolvida: a Anatel notificou a operadora Vivo para que fizesse o desbloqueio do IMEI do meu aparelho. O prazo era de 10 dias. A Vivo entrou em contato comigo por meio do atendimento ao cliente via whatsapp, solicitou a documentação pessoal e a nota fiscal do aparelho. Dados fornecidos, mais cinco dias de prazo para realizar o processo.

Prazo vencido na sexta-feira (26) e nenhum contato da operadora sobre o desbloqueio. Volto a ligar para a  Anatel, que faz uma nova notificação à operadora e fica por isso mesmo, ou seja, é um ciclo vicioso que não dá em nada. Ninguém resolve o desbloqueio do IMEI do celular e eu fico com o prejuízo por confiar em uma ferramenta oficial.

Para que o bloqueio e desbloqueio de dispositivos funcione de maneira eficaz, é necessário que haja uma integração adequada com as operadoras de telecomunicações e sistemas de segurança. Além disso, capacitar os funcionários das operadoras para realizar o procedimento e adotar punições às que não cumprirem a parte que lhes cabe. 

Agora, o que me resta, recorrer ao camelô?

Foto: Freepik

Suzi Bonfim

Depois de perder o celular, acionei o Celular Seguro para bloquear o IMEI. Quase um mês depois de recuperá-lo, ainda não consegui desbloqueá-lo de novo

Jornalista, formada na UEL, por quase 30 anos morou em Cuiabá -MT. De volta a Londrina-PR, vive a fase R de reencontros e renovação, respirando novos ares. Escreve sobre o que acredita por um mundo melhor. Instagram @suzi.bonfim

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