Por Edmilson Palermo Soares
Quando visitamos vinhedos em qualquer lugar do mundo, sejam pequenas ou grandes áreas, observamos rosas plantadas entre as videiras.
Será que é um padrão para melhorar o visual dos vinhedos?
As vinhas são muito sensíveis ao ataque de um fungo, que causa uma doença denominada “oídio”, muito prejudicial e difícil para erradicar se o tratamento não for feito precocemente.
Este fungo também ataca flores delicadas, tais como as rosas e seus sintomas (manchas nas folhas) são visíveis mais cedo nas rosas do que nas videiras.
Portanto, a razão é que a rosa é um alarme para detectar a doença precocemente e tratá-la na vinha antes que seja tarde demais.

As origens deste costume remontam a 1851, quando o fungo Oidium tuckeri entrou na Europa a partir da Inglaterra. Seus esporos se espalharam entre as plantas a tal ponto que em menos de dois anos eliminaram a maior parte das videiras nas regiões vinícolas.
Naquela época, os vinhedos estavam em torno de mosteiros, que produziam vinho para a missa. Os monges cistercienses de Borgonha (França) estudavam a estrutura do solo como geólogos autênticos, elegiam as melhores parcelas, faziam a poda, selecionavam as melhores plantas e as cercavam com roseiras.
Quando o fungo se propagou entre os vinhedos da Borgonha, as roseiras foram as primeiras a desenvolver a doença, e os monges puderam salvar seus vinhedos, aplicando um tratamento que se baseava em polvilhar enxofre nas plantas.
Desde então, as roseiras tornaram-se plantas que serviam ao viticultor para detectar doenças.
Seguindo a tradição, ao longo dos anos foram plantadas roseiras em todas as vinhas, servindo de decoração e sinal de alarme.
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin
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