Por Edmilson Palermo Soares
O mercado atual do vinho mostra, como tendência principal, um consumidor mais consciente, que busca autenticidade, saúde e conveniência. Na prática, isso muda bastante o jogo e não é papo de marketing. É comportamento real de consumo.
Quando se fala em consumidor mais consciente, significa que ele não compra vinho só pelo rótulo bonito ou pelo preço. Ele quer saber de onde vem, como foi produzido e o que está consumindo.
Aqui as 5 principais tendências que estão moldando o consumo
“Menos, mas melhor”
O volume total de vinho consumido globalmente estabilizou, mas o valor gasto por garrafa subiu.
A tendência é que o consumidor prefere beber uma única taça de um vinho excelente (como um Barolo ou um Malbec de vinhedo único) do que três taças de um vinho de entrada.
Vinhos de “baixa intervenção” e sustentabilidade
A transparência tornou-se uma tendência praticamente obrigatória. O consumidor quer saber o que vai dentro da garrafa. E estão escolhendo aqueles que tem menos aditivos em cada garrafa.
Vinhos orgânicos e biodinâmicos deixaram de ser nicho para ocupar prateleiras principais. O vinho orgânico é sobre o que não se usa (químicos) e o vinho biodinâmico é sobre como se vive no vinhedo. O vinho biodinâmico tem regras mais específicas, com um único órgão mundial que fiscaliza e autentica esta condição.
Diferente do viticultor comum, o biodinâmico olha para o céu. As atividades no vinhedo seguem as fases da lua e a posição dos planetas, dividindo os dias em quatro categorias:
- Dias de Fruto: Melhores para a colheita.
- Dias de Raiz: Ideais para podas e cuidados com o solo.
- Dias de Flor: Focados na delicadeza da planta.
- Dias de Folha: Melhores para regar ou trabalhar o crescimento.

Vinhos naturais ganham força entre o público jovem, que busca sabores mais “selvagens” e menos maquiados por madeira ou aditivos. Para quem não sabe, o conceito de vinho natural é, ao mesmo tempo, o mais antigo e o mais moderno do mundo. Embora não exista uma legislação única e global que o defina (como acontece com os orgânicos), há um consenso entre produtores e associações sobre o que ele representa: nada foi tirado, nada foi adicionado. O processo sofre a menor interferência possível. A grande diferença é que o orgânico precisa do selo e o natural não.
A demanda por informações sobre ingredientes e práticas ambientais da vinícola é cada vez maior.
A ascensão dos Brancos e Rosés “gastronômicos”
A ideia de que “vinho sério é vinho tinto” ficou no passado.
Vinhos como o Gavi DOCG ou Chardonnays com passagem por madeira estão sendo consumidos no jantar, e não apenas como aperitivo.
O consumo de Rosé deixou de ser sazonal (apenas verão) e passou a ser apreciado o ano todo, especialmente os estilos mais encorpados e secos.
Novos formatos e conveniência
O vinho está saindo da mesa formal e indo para momentos de lazer descontraídos.
Vinhos em Lata e Bag-in-Box garantem frescor e facilidade de transporte para eventos ao ar livre ou consumo individual.
Uma outra forte tendência de saúde e bem-estar, com vinhos que entregam sabor, mas com graduação alcoólica reduzida (entre 7% e 9%).
Digitalização e experiência digital
A jornada de compra começa no digital e termina no físico (ou vice-versa).
Grupos de assinatura e confrarias digitais são os grandes influenciadores da decisão de compra.
O consumidor quer aprender sem “enochatice”.
O formato que usamos aqui, na Confraria da Taverna, em nosso Papo de Adega, busca entender o vinho de forma leve e descontraída.
O mercado ficou mais exigente e está em constante atualização. Foca na curadoria de vinhos autênticos e na experiência educacional, por entender que este é o caminho mais seguro.
O cliente não compra apenas uma uva, ele compra a história do produtor e a certeza de que aquele produto respeita o meio ambiente.
Pense bem nisso ao adquirir o seu próximo rótulo.
Um brinde!
Edmilson Palermo Soares


Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral.
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